HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Adolescente, sexo masculino, 13 anos, é levado à emergência por cefaleia intensa, vômitos em jato há dois dias e febre (38,5 °C) que não cede com antitérmicos. Exame físico: desidratado, febril, sinais de irritação meníngea, escala de Glasgow de 15. Punção lombar: pleocitose, com 200 células/mm3 , 20.000 hemácias/mm3 , com predomínio de linfomononucleares; proteína: 45 mg/dL; glicorraquia: 66 mg/dL (glicemia: 90 mg/dL). Esse quadro clínico sugere:
Meningite viral → LCR com pleocitose linfomononuclear, glicorraquia normal e proteinorraquia levemente elevada.
A meningite viral é caracterizada por um LCR com predomínio de linfomononucleares, glicorraquia normal (relação glicose LCR/sérica > 0,6) e proteinorraquia geralmente < 100 mg/dL. A presença de hemácias pode ser devido a trauma de punção ou outras causas, mas o padrão celular e bioquímico aponta para etiologia viral.
A meningite viral, também conhecida como meningite asséptica, é uma inflamação das meninges causada por vírus, sendo os enterovírus as causas mais comuns. Apresenta-se com cefaleia, febre, vômitos e sinais de irritação meníngea, geralmente com curso mais benigno que a bacteriana. O diagnóstico é crucial para evitar tratamentos desnecessários com antibióticos. O diagnóstico diferencial é feito principalmente pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). Na meningite viral, o LCR tipicamente mostra pleocitose com predomínio de linfomononucleares (embora no início possa haver neutrofilia), glicorraquia normal (relação glicose LCR/sérica > 0,6) e proteinorraquia levemente elevada (geralmente < 100 mg/dL). A presença de hemácias pode ser um artefato de punção traumática, mas deve-se considerar outras causas se persistente. O tratamento da meningite viral é geralmente de suporte, com repouso, hidratação e analgésicos/antitérmicos. A maioria dos pacientes se recupera completamente sem sequelas. É fundamental descartar meningite bacteriana, que exige tratamento antibiótico urgente, e outras causas como fúngicas ou tuberculosa, que possuem padrões de LCR e tratamentos específicos.
Na meningite viral, o LCR tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de linfomononucleares, glicorraquia normal (relação glicose LCR/sérica > 0,6) e proteinorraquia levemente elevada, geralmente abaixo de 100 mg/dL.
A meningite bacteriana geralmente cursa com pleocitose neutrofílica, glicorraquia muito baixa e proteinorraquia acentuadamente elevada, enquanto a viral tem predomínio linfomononuclear, glicorraquia normal e proteinorraquia levemente elevada.
Não necessariamente. A presença de hemácias pode ser um artefato de punção traumática. Na hemorragia subaracnoide, as hemácias são uniformemente distribuídas nos tubos e o sobrenadante pode ser xantocrômico após centrifugação.
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