Meningite Tuberculosa em Lactentes: Diagnóstico e Líquor

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menino de 8 meses apresenta história de irritabilidade e temperaturas até 37,5 ºC há 4 dias. Há uma hora, apresentou episódio convulsivo com duração de 15 minutos. AP: estado vacinal desconhecido. Exame físico: REG, FC 120 bpm, FR 36 ipm, afebril, boa perfusão periférica, sonolento, hipoativo e pouco reativo. TC de crânio com contraste: impregnação de leptomeninge, especialmente das cisternas da base. Líquor: 500 células (70% linfócitos, 30% monócitos), 15 mg/dL de glicose e 250 md/dL de proteínas. A hipótese diagnóstica mais provável é

Alternativas

  1. A) meningoencefalite por citomegalovírus.
  2. B) meningoencefalite herpética.
  3. C) meningite por Haemophylus influenzae tipo B.
  4. D) meningite tuberculosa.

Pérola Clínica

Meningite tuberculosa em lactente → irritabilidade, convulsão prolongada, líquor com hipoglicorraquia, hiperproteinorraquia e linfocitose, TC com impregnação de cisternas da base.

Resumo-Chave

A meningite tuberculosa em lactentes é uma forma grave da doença, com apresentação insidiosa e achados liquóricos e de imagem (impregnação de leptomeninge e cisternas da base) que, combinados com a clínica, são altamente sugestivos. A hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia são marcantes.

Contexto Educacional

A meningite tuberculosa é uma forma grave de tuberculose extrapulmonar, especialmente devastadora em crianças pequenas e lactentes, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. É mais comum em regiões com alta prevalência de tuberculose e em pacientes imunocomprometidos ou com estado vacinal incompleto. A apresentação clínica em lactentes pode ser insidiosa, com irritabilidade, febre baixa e sonolência, progredindo para sinais neurológicos focais e convulsões. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica do Mycobacterium tuberculosis para o sistema nervoso central, formando tubérculos que podem se romper no espaço subaracnoide, causando uma reação inflamatória intensa. O diagnóstico é baseado na tríade clínica, achados liquóricos (pleocitose linfocitária, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia) e de imagem (impregnação de leptomeninge, especialmente cisternas da base, e hidrocefalia). A cultura do líquor para M. tuberculosis é o padrão-ouro, mas pode levar semanas, e testes moleculares como o GeneXpert MTB/RIF podem acelerar o diagnóstico. O tratamento é uma emergência médica e consiste em terapia antituberculosa combinada (isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol) por um período prolongado, geralmente 9 a 12 meses, associada a corticosteroides (dexametasona) para reduzir a inflamação e as sequelas neurológicas. O prognóstico depende do estágio da doença ao início do tratamento, sendo pior em casos avançados com hidrocefalia ou infartos cerebrais.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos do líquor na meningite tuberculosa?

O líquor na meningite tuberculosa tipicamente apresenta pleocitose linfocitária (50-500 células/mm³), hipoglicorraquia (<40 mg/dL ou relação líquor/glicemia <0,4) e hiperproteinorraquia (>100 mg/dL).

Por que a TC de crânio com contraste é importante na suspeita de meningite tuberculosa?

A TC com contraste pode revelar hidrocefalia, infartos cerebrais e, classicamente, impregnação das cisternas da base e do sulco silviano, achados que sugerem fortemente a etiologia tuberculosa.

Qual o diferencial principal da meningite tuberculosa em lactentes?

O principal diferencial inclui outras meningites crônicas, como fúngicas, ou virais atípicas. A história epidemiológica, estado vacinal e a evolução clínica arrastada são cruciais para a suspeita de tuberculose.

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