Meningite Tuberculosa Pediátrica: Diagnóstico e Líquor

CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2015

Enunciado

Menina de um ano, só recebeu vacina de hepatite B ao nascimento e nenhuma outra vacina. A mãe é hipertensa, o pai alcoolista e apresenta tosse crônica. Trazida ao pronto- socorro, pois apresenta febre há 3 dias, sonolência alternando com irritabilidade, rigidez de nuca e postura de hiperextensão da cabeça. O exame do líquor mostrou aspecto opalescente, glicose diminuída, proteínas aumentadas, globulinas aumentadas, celularidade de 100 leucócitos, microscopia negativa para Gram. Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Encefalite por herpes vírus I.
  2. B)  Meningite por Neisseria meningitidis.
  3. C)  Meningite por Mycobacterium tuberculosis.
  4. D) Meningite por Haemophilus influenzae.
  5. E) Encefalite japonesa.

Pérola Clínica

Criança não vacinada, contato com tosse crônica, sintomas subagudos de meningite e líquor com glicose ↓, proteínas ↑, celularidade linfocitária → Meningite Tuberculosa.

Resumo-Chave

A meningite tuberculosa deve ser fortemente suspeitada em crianças não vacinadas (especialmente BCG), com contato domiciliar com tosse crônica (sugestivo de TB pulmonar paterna), e que apresentam sintomas meníngeos subagudos. O líquor com glicose muito baixa, proteínas elevadas e celularidade predominantemente linfocitária, mesmo com Gram negativo, é altamente sugestivo.

Contexto Educacional

A meningite tuberculosa (MTB) é uma forma grave de tuberculose extrapulmonar, particularmente devastadora em crianças, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. O diagnóstico é desafiador devido à apresentação insidiosa e inespecífica, que pode mimetizar outras infecções do sistema nervoso central. No entanto, o contexto epidemiológico é crucial: uma criança não vacinada com BCG e com contato próximo com um adulto com tosse crônica (sugerindo tuberculose pulmonar ativa) deve levantar forte suspeita. A análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é a ferramenta diagnóstica mais importante. Na MTB, o LCR classicamente apresenta pleocitose (aumento de células) com predomínio linfocitário, hiperproteinorraquia (proteínas elevadas) e, o achado mais característico, hipoglicorraquia acentuada (glicose muito baixa). A microscopia direta para bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) é frequentemente negativa devido à baixa carga bacilar, mas a cultura e testes moleculares (como o GeneXpert MTB/RIF) são mais sensíveis e específicos. O tratamento da meningite tuberculosa é prolongado, envolvendo múltiplos fármacos antituberculosos e, em muitos casos, corticosteroides para reduzir a inflamação e as sequelas neurológicas. A prevenção através da vacinação BCG e o rastreamento de contatos são medidas essenciais de saúde pública para controlar a disseminação da doença e proteger as crianças.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos no líquor de um paciente com meningite tuberculosa?

Na meningite tuberculosa, o líquor tipicamente apresenta aspecto opalescente, glicose muito diminuída (geralmente < 40 mg/dL), proteínas muito aumentadas (> 100 mg/dL), e celularidade elevada (50-500 leucócitos/mm³) com predomínio linfocitário, embora possa haver neutrofilia inicial. A microscopia de Gram é frequentemente negativa.

Quais fatores de risco aumentam a suspeita de meningite tuberculosa em crianças?

Fatores de risco incluem contato domiciliar com adultos com tuberculose pulmonar ativa, ausência de vacinação BCG, imunodeficiência e residência em áreas de alta prevalência de tuberculose. A apresentação clínica subaguda também é um forte indicativo.

Como diferenciar a meningite tuberculosa de outras meningites linfocitárias?

A meningite tuberculosa se diferencia de outras meningites linfocitárias (como virais ou fúngicas) pela glicose do líquor geralmente mais baixa e proteínas mais elevadas do que nas virais, e pelo curso subagudo. A pesquisa de BAAR no líquor, cultura e testes moleculares (como GeneXpert) são confirmatórios.

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