Meningite Tuberculosa Pediátrica: LCR e Diagnóstico

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2022

Enunciado

Uma menina de 1 ano e 5 meses dá entrada em serviço de urgência em convulsão generalizada, hiperpnéia e bradicardia. Tem história de frequentar creche há 2 meses, tendo sido tratada de otite, amidalite e sinusite nos últimos 45 dias. Foi colhido um LCR com os seguintes resultados: células 243 (60% linfócitos, 10% plasmócitos, 30% neutrófilos) glicose = 32 e proteínas = 142 mg/dl. O diagnóstico inicial é de:

Alternativas

  1. A) Estenose do aqueduto cerebral
  2. B) Meningite viral
  3. C) Meningite pneumocócica
  4. D) Meningite tuberculosa

Pérola Clínica

LCR com pleocitose linfomonocitária, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia em criança com quadro subagudo → suspeitar meningite tuberculosa.

Resumo-Chave

O perfil do LCR com predomínio linfomonocitário (mesmo com neutrófilos iniciais), glicose muito baixa e proteínas elevadas, em um contexto de infecções prévias e exposição em creche, é altamente sugestivo de meningite tuberculosa, que tem um curso mais insidioso e grave.

Contexto Educacional

A meningite tuberculosa é uma forma grave de tuberculose extrapulmonar, particularmente desafiadora em crianças devido à sua apresentação insidiosa e ao risco de sequelas neurológicas permanentes. É mais comum em regiões com alta prevalência de tuberculose e em crianças pequenas, especialmente aquelas com exposição prévia ou imunocomprometimento. O diagnóstico precoce é crucial, mas muitas vezes dificultado pela inespecificidade dos sintomas iniciais, que podem ser confundidos com outras infecções comuns da infância. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é fundamental para o diagnóstico. O perfil clássico da meningite tuberculosa no LCR inclui pleocitose com predomínio linfomonocitário (embora neutrófilos possam ser predominantes nas fases iniciais), hipoglicorraquia acentuada (glicose < 40 mg/dL ou relação LCR/glicemia < 0,4) e hiperproteinorraquia significativa (> 100 mg/dL). A cultura para Mycobacterium tuberculosis no LCR é o padrão ouro, mas pode levar semanas e ter baixa sensibilidade, tornando a PCR para TB uma ferramenta diagnóstica mais rápida e sensível. O tratamento da meningite tuberculosa é prolongado, envolvendo múltiplos fármacos antituberculose por 9 a 12 meses, frequentemente com corticosteroides adjuvantes para reduzir a inflamação e as sequelas. Residentes devem estar atentos a esse diagnóstico em crianças com quadro neurológico subagudo, histórico de contato com TB ou exposição em ambientes de risco, e um LCR com o perfil característico, para iniciar o tratamento o mais rápido possível e melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clássicas do LCR na meningite tuberculosa?

O LCR na meningite tuberculosa tipicamente apresenta pleocitose linfomonocitária (embora possa haver neutrofilia inicial), hipoglicorraquia acentuada (glicose < 40 mg/dL) e hiperproteinorraquia significativa (> 100 mg/dL).

Como diferenciar a meningite tuberculosa de outras meningites no LCR?

A meningite viral geralmente tem pleocitose linfomonocitária com glicose normal e proteínas discretamente elevadas. A meningite bacteriana aguda apresenta neutrofilia maciça, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia, mas o predomínio é de neutrófilos desde o início.

Quais são os sinais clínicos de alerta para meningite tuberculosa em crianças?

Sinais de alerta incluem um curso subagudo ou crônico de sintomas neurológicos (irritabilidade, letargia, convulsões), febre, perda de peso, contato prévio com tuberculose e história de infecções respiratórias recorrentes, além de sinais de hipertensão intracraniana.

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