UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Paciente com síndrome de imunodeficiência do adulto (SIDA) e sem histórico de tratamento inicia, concomitantemente ao diagnóstico da doença retroviral, quadro de febre, cefaleia e diplopia. No exame físico, apresenta rigidez de nuca e alteração do III e VI pares cranianos. O líquor apresenta pleocitose mononuclear, proteína aumentada, glicose baixa e GeneXpert positivo. Segundo o Ministério da Saúde (2019), nesse caso, a conduta mais adequada é iniciar:
Meningite Tuberculosa em HIV → Iniciar RIPE, adiar TARV por 60 dias para reduzir IRIS.
Em pacientes com HIV e diagnóstico de Meningite Tuberculosa (confirmado por GeneXpert positivo no líquor), a conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é iniciar o esquema RIPE (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida, Etambutol) para tuberculose e adiar o início da terapia antirretroviral (TARV) por 60 dias. Isso visa reduzir o risco de Síndrome Inflamatória da Reconstituição Imune (IRIS), que pode ser grave na TBM.
A coinfecção por HIV e Mycobacterium tuberculosis representa um desafio significativo de saúde pública, especialmente em regiões com alta prevalência de ambas as doenças. A tuberculose é a principal causa de morte em pessoas vivendo com HIV. A meningite tuberculosa (TBM) é uma forma grave de tuberculose extrapulmonar, com alta morbimortalidade, especialmente em pacientes imunocomprometidos. O diagnóstico da TBM em pacientes com HIV pode ser complexo, mas a presença de sintomas neurológicos (febre, cefaleia, rigidez de nuca, déficits de pares cranianos) em um paciente com SIDA deve levantar forte suspeita. O exame do líquor, com pleocitose mononuclear, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia, juntamente com a positividade do GeneXpert MTB/RIF, confirma o diagnóstico. A conduta terapêutica, conforme o Ministério da Saúde (2019), envolve o início imediato do esquema RIPE (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida, Etambutol) para a tuberculose. A terapia antirretroviral (TARV) deve ser iniciada de forma diferida, idealmente após 60 dias do início do tratamento da TBM. Essa estratégia visa reduzir o risco de Síndrome Inflamatória da Reconstituição Imune (IRIS), uma condição que pode levar a uma piora clínica paradoxal e grave, particularmente no sistema nervoso central, quando a TARV é iniciada precocemente. O manejo da TBM em pacientes com HIV exige uma abordagem cuidadosa e coordenada entre as equipes de infectologia e neurologia.
O líquor na meningite tuberculosa classicamente apresenta pleocitose linfocitária (mononuclear), proteínas elevadas e glicose baixa, além de poder ter um aspecto xantocrômico ou opalescente.
O GeneXpert MTB/RIF é um teste molecular rápido que detecta o DNA do Mycobacterium tuberculosis e a resistência à rifampicina diretamente de amostras clínicas, incluindo líquor, acelerando o diagnóstico e o início do tratamento.
IRIS é uma exacerbação paradoxal de uma infecção oportunista ou doença autoimune após o início da TARV em pacientes com HIV. Na TBM, a IRIS pode levar a piora neurológica grave, sendo o adiamento da TARV uma estratégia para mitigar esse risco.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo