SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023
Uma criança do sexo feminino, de 2 anos de idade, foi levada ao pronto atendimento com história de febre baixa e cefaleia há 10 dias, que evoluiu com vômitos, rebaixamento de nível de consciência, convulsão tônico-clônica prolongada e coma. Foi realizada punção lombar, revelando-se o seguinte: 700 células/mm³, com 10% de neutrófilos, 90% de linfócitos, proteína 200 mg/dL e glicose 16 mg/dL. Assinale a alternativa que apresenta o principal agente etiológico nesse caso clínico hipotético.
Meningite tuberculosa: evolução subaguda/crônica, líquor com pleocitose linfocitária, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia.
O quadro clínico de evolução subaguda/crônica (febre e cefaleia há 10 dias, progressão para coma e convulsão) associado ao perfil do líquor (pleocitose linfocitária, hipoglicorraquia acentuada e hiperproteinorraquia) é altamente sugestivo de meningite tuberculosa. Outras meningites bacterianas agudas teriam predomínio neutrofílico e evolução mais rápida.
A meningite é uma emergência pediátrica, e a identificação do agente etiológico é crucial para o tratamento adequado. Em crianças, a apresentação clínica pode ser inespecífica, mas a análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é a ferramenta diagnóstica mais importante. A meningite tuberculosa, embora menos comum que as virais ou bacterianas agudas, é uma forma grave de tuberculose extrapulmonar que exige alta suspeição clínica e tratamento prolongado. O perfil do líquor apresentado no caso (700 células/mm³ com 90% linfócitos, proteína 200 mg/dL e glicose 16 mg/dL) é clássico da meningite tuberculosa. A pleocitose linfocitária indica uma resposta inflamatória crônica, enquanto a hipoglicorraquia acentuada (glicose < 40% da glicemia sérica ou < 40 mg/dL) e a hiperproteinorraquia (proteínas > 100 mg/dL) são marcadores de consumo de glicose e inflamação intensa no espaço subaracnoide, respectivamente. A evolução arrastada do quadro clínico (10 dias de sintomas) também corrobora essa hipótese, distinguindo-a das meningites bacterianas agudas que geralmente têm um curso fulminante. Para residentes, é fundamental saber interpretar o líquor para diferenciar os tipos de meningite. Enquanto as meningites bacterianas agudas cursam com predomínio neutrofílico, as virais, fúngicas e tuberculosas apresentam predomínio linfocitário. A meningite tuberculosa se destaca pela hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia mais pronunciadas em comparação com as virais. O diagnóstico precoce e o início do tratamento antituberculoso são essenciais para prevenir sequelas neurológicas graves e reduzir a mortalidade.
A meningite tuberculosa tipicamente apresenta pleocitose linfocitária (predomínio de linfócitos), hipoglicorraquia acentuada (glicose muito baixa) e hiperproteinorraquia (proteínas elevadas), com evolução subaguda ou crônica.
Diferencia-se das meningites bacterianas agudas pelo predomínio linfocitário no líquor e pela evolução mais arrastada. Das meningites virais, diferencia-se pela hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia mais acentuadas, além da piora progressiva do quadro clínico.
Em crianças, pode iniciar com febre baixa, cefaleia, irritabilidade e evoluir para vômitos, rebaixamento do nível de consciência, convulsões e déficits neurológicos focais, com um curso mais prolongado que as meningites bacterianas agudas.
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