Meningite Tuberculosa: Achados do Líquor e Diagnóstico

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Um pré-escolar de 4 anos foi trazido com queixas há 2 semanas de febre, cefaleia, apatia e irritabilidade e vômitos. Na última semana, apresenta estrabismo e ptose palpebral e, há 2 dias, evoluiu com rebaixamento do nível de consciência. Apresenta ao exame rigidez de nuca. Foi colhido líquor, que mostrou 230 células com predomínio de monomorfonucleares, glicose 24mg/dl e proteínas 2500mg/dl. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Tumor de fossa posterior.
  2. B) Hipertensão intracraniana vera.
  3. C) Meningite tuberculosa.
  4. D) Meningite bacteriana.
  5. E) Meningoencefalite viral.

Pérola Clínica

Líquor com pleocitose mononuclear + glicose ↓↓ + proteínas ↑↑ + curso subagudo com paralisia de nervos cranianos = Meningite Tuberculosa.

Resumo-Chave

A meningite tuberculosa apresenta um quadro subagudo e achados liquóricos muito característicos: pleocitose com predomínio de monomorfonucleares, glicose muito baixa e proteínas acentuadamente elevadas. A presença de sinais neurológicos focais, como estrabismo e ptose, sugere envolvimento de nervos cranianos, comum nessa patologia.

Contexto Educacional

A meningite tuberculosa (MTB) é a forma mais grave de tuberculose extrapulmonar, especialmente devastadora em crianças. É causada pela disseminação hematogênica do Mycobacterium tuberculosis para o sistema nervoso central, resultando em inflamação das meninges e do parênquima cerebral. A doença tem um curso insidioso e subagudo, o que dificulta o diagnóstico precoce e contribui para a alta morbimortalidade. Os sintomas iniciais são inespecíficos, como febre, cefaleia, irritabilidade e vômitos, progredindo para sinais de hipertensão intracraniana e envolvimento de nervos cranianos (como estrabismo e ptose). O diagnóstico é desafiador e baseia-se na suspeita clínica, epidemiologia (contato com TB, imunossupressão) e, crucialmente, na análise do líquor. Os achados liquóricos clássicos incluem pleocitose com predomínio de monomorfonucleares, glicose muito baixa (consumo pelo bacilo) e proteínas muito elevadas (inflamação intensa). O tratamento da MTB é uma emergência médica e deve ser iniciado o mais rápido possível com esquema quádruplo de tuberculostáticos (isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol), associado a corticosteroides para reduzir a inflamação e o risco de sequelas. O prognóstico depende diretamente da precocidade do diagnóstico e tratamento. Residentes devem estar aptos a reconhecer esse padrão clínico-laboratorial para instituir a terapia adequada e minimizar as sequelas neurológicas graves.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do líquor na meningite tuberculosa?

O líquor na meningite tuberculosa tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de monomorfonucleares (linfócitos), glicose muito baixa (consumo de glicose pelos bacilos), e proteínas acentuadamente elevadas (devido à inflamação e barreira hematoencefálica comprometida). A pressão de abertura também pode estar elevada.

Como diferenciar a meningite tuberculosa de outras meningites?

A meningite tuberculosa se diferencia pelo curso subagudo a crônico, achados liquóricos específicos (mononuclear, glicose muito baixa, proteína muito alta) e a presença de sinais neurológicos focais como paralisias de nervos cranianos. Meningite bacteriana aguda tem polimorfonucleares e curso fulminante; viral tem mononuclear, mas glicose normal e proteínas menos elevadas.

Quais são as complicações da meningite tuberculosa em crianças?

As complicações incluem hidrocefalia (devido à obstrução da circulação do líquor), infartos cerebrais (por vasculite), paralisias de nervos cranianos, convulsões, retardo do desenvolvimento neuropsicomotor e sequelas neurológicas permanentes, sendo uma doença com alta morbimortalidade se não tratada precocemente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo