PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Leia o relato do caso clínico a seguir: Jovem, 33 anos de idade, alcoolista, com cefaleia, confusão mental e queda do estado geral, nega febre e tratamentos prévios. Foi internado e, no exame neurológico, apresentava-se torporoso, leve rigidez de nuca e sem outros sinais focais. Foi colhido um liquor que demonstrou 132 células com predomínio de linfócitos e monócitos, com glicose de 25 mg% e glicose sanguínea de 90 mg%, proteínas de 97 mg% e lactato de 4,2 mmol/L (Valor normal 1,1-2,4). Diante do relato clínico, a principal hipótese diagnóstica é:
Linfocitose + Hipoglicorraquia (<40mg/dL) + Proteína ↑ + Lactato ↑ → Pensar em Meningite por TB.
A meningite tuberculosa apresenta um perfil liquórico de inflamação crônica/subaguda, caracterizado por consumo importante de glicose e predomínio de células mononucleares, diferenciando-se das virais pela hipoglicorraquia.
A meningite tuberculosa é a forma mais grave de tuberculose extrapulmonar, ocorrendo pela ruptura de um foco subependimário (foco de Rich) no espaço subaracnóideo. O quadro clínico é tipicamente subagudo, com cefaleia, febre baixa e sinais de irritação meníngea que podem demorar a surgir. O diagnóstico baseia-se na análise do LCR, que mostra pleocitose (geralmente < 500 células), hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia. O tratamento envolve o esquema RIPE (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol) associado a corticosteroides para reduzir a inflamação e o risco de sequelas como hidrocefalia e vasculites.
A principal diferença reside na celularidade e no tempo de evolução. Na meningite bacteriana aguda (ex: meningocócica), há um predomínio de polimorfonucleares (neutrófilos) e uma evolução hiperaguda. Na meningite tuberculosa, a evolução é subaguda (semanas) e o predomínio é de linfócitos e monócitos. Ambas apresentam hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia, mas o nível de lactato e a gravidade do consumo de glicose podem ser mais acentuados na TB em fases avançadas.
O lactato liquórico é um marcador de metabolismo anaeróbico e sofrimento cerebral. Valores elevados (geralmente > 2,5-3,0 mmol/L) sugerem etiologia bacteriana, fúngica ou tuberculosa, ajudando a excluir causas virais, onde o lactato costuma estar normal. No caso da TB, o lactato elevado corrobora a gravidade da inflamação meníngea e auxilia no diagnóstico diferencial quando a bacterioscopia é negativa.
O alcoolismo crônico está associado a um estado de imunossupressão relativa, o que aumenta significativamente o risco de reativação de focos latentes de Mycobacterium tuberculosis. Além disso, pacientes alcoolistas podem apresentar quadros de desnutrição e deficiências vitamínicas que mascaram a febre ou alteram a resposta inflamatória clássica, tornando o diagnóstico de neurotuberculose um desafio clínico que exige alta suspeição.
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