Meningite Pediátrica: Sinais, Etiologia e Diagnóstico no LCR

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020

Enunciado

Assinale a assertiva incorreta levando-se em consideração um quadro de meningite em paciente pediátrico.

Alternativas

  1. A)  Rigidez nucal e sinais de Kernig e Brudzinski estão presentes na maioria dos casos em todas as faixas etárias.
  2. B)  Escherichia coli é o principal agente etiológico Gram-negativo envolvido nas meningites bacterianas de recém-nascidos.
  3. C)  Hipoglicorraquia é uma característica mais frequente nas meningites tuberculosas do que nas virais.
  4. D)  Presença simultânea de petéquias e sufusões hemorrágicas é sugestiva do envolvimento de etiologia meningocócica.
  5. E)  Nos contatos dos pacientes com meningite meningocócica, pode ser realizada quimioprofilaxia com rifampicina ou ceftriaxona.

Pérola Clínica

Sinais clássicos de irritação meníngea (rigidez de nuca, Kernig, Brudzinski) são inconstantes em lactentes e crianças pequenas.

Resumo-Chave

Em pacientes pediátricos, especialmente lactentes e crianças pequenas, os sinais clássicos de irritação meníngea podem ser ausentes ou atípicos, dificultando o diagnóstico. A suspeita clínica deve ser alta em qualquer criança com febre e alteração do estado geral, mesmo sem rigidez de nuca evidente.

Contexto Educacional

A meningite em pacientes pediátricos é uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento rápidos para prevenir sequelas neurológicas graves ou morte. A apresentação clínica varia significativamente com a idade. Em recém-nascidos e lactentes, os sinais clássicos de irritação meníngea, como rigidez de nuca e os sinais de Kernig e Brudzinski, são frequentemente ausentes ou difíceis de elicitar, tornando o diagnóstico um desafio. Nesses grupos, sintomas inespecíficos como irritabilidade, letargia, recusa alimentar, vômitos e fontanela abaulada são mais comuns. A etiologia da meningite bacteriana também difere por faixa etária. Em neonatos, Streptococcus agalactiae, Escherichia coli e Listeria monocytogenes são os patógenos predominantes. Em crianças maiores, Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis são mais comuns. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é fundamental para o diagnóstico diferencial, com a hipoglicorraquia sendo uma característica mais proeminente em meningites bacterianas e tuberculosas do que nas virais. O manejo inclui antibioticoterapia empírica precoce, ajustada após a identificação do agente e seu perfil de sensibilidade. A quimioprofilaxia para contatos próximos é crucial em casos de meningite meningocócica para conter a disseminação da doença. A vacinação é a principal medida preventiva contra as principais causas bacterianas de meningite.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de meningite em recém-nascidos e lactentes?

Em recém-nascidos e lactentes, os sinais de meningite podem ser inespecíficos, incluindo irritabilidade, letargia, recusa alimentar, fontanela abaulada, convulsões e febre ou hipotermia, sem a presença de rigidez de nuca.

Quais são os principais agentes etiológicos da meningite bacteriana neonatal?

Os principais agentes etiológicos da meningite bacteriana em recém-nascidos são o Streptococcus agalactiae (GBS), Escherichia coli (especialmente cepas K1) e Listeria monocytogenes.

Como o LCR difere entre meningite bacteriana, viral e tuberculosa?

A meningite bacteriana geralmente apresenta pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia. A viral tem pleocitose linfocítica e glicose normal. A tuberculosa tem pleocitose linfocítica, hipoglicorraquia acentuada e hiperproteinorraquia.

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