UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020
Recém-nascido de 25 dias de vida, internado por quadro de letargia, vômitos e febre. Na avaliação não foi observado qualquer foco infeccioso, sendo realizado hemograma que apresentou contagem leucocitária de 25.000 com predomínio de neutrófilos (82%). Devido a essas alteração, optou-se pela punção lombar para avaliar a possibilidade de uma meningite. O exame apresentou uma celularidade de 250 leucócitos, sem hemácias, o diferencial com 95% de neutrófilos, aumento de proteínas e redução da glicose. Neste caso, a conduta adequada é:
Meningite neonatal (25 dias) com LCR neutrofílico → Cefalosporina 3ª geração + Ampicilina (cobre Listeria).
Em recém-nascidos com meningite, especialmente após 7 dias de vida (sepse tardia), a cobertura empírica deve incluir agentes comuns do canal de parto e, crucialmente, Listeria monocytogenes. A combinação de uma cefalosporina de 3ª geração (como cefotaxima ou ceftriaxona) com ampicilina garante essa cobertura essencial, especialmente para Listeria, que é resistente a cefalosporinas.
A meningite neonatal é uma infecção grave do sistema nervoso central que ocorre em recém-nascidos, com alta morbidade e mortalidade. É uma condição que exige diagnóstico rápido e tratamento agressivo. A apresentação clínica pode ser inespecífica, com letargia, vômitos e febre, tornando a suspeita clínica e a investigação diagnóstica, incluindo a punção lombar, fundamentais. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é o pilar diagnóstico da meningite. Achados como pleocitose (aumento de leucócitos, especialmente neutrófilos), hiperproteinorraquia (aumento de proteínas) e hipoglicorraquia (redução da glicose) são indicativos de meningite bacteriana. Em recém-nascidos, a distinção entre sepse precoce (até 7 dias de vida) e sepse tardia (após 7 dias) é importante para guiar a escolha da antibioticoterapia empírica, pois os agentes etiológicos podem variar. No caso de meningite em um recém-nascido de 25 dias (sepse tardia), a conduta adequada envolve a internação e o início imediato de antibioticoterapia empírica. A combinação de uma cefalosporina de terceira geração (como cefotaxima ou ceftriaxona) com ampicilina é a escolha padrão. A cefalosporina cobre os principais gram-negativos e o GBS, enquanto a ampicilina é crucial para cobrir a Listeria monocytogenes, um patógeno relevante nessa faixa etária e que é resistente às cefalosporinas. O tratamento deve ser mantido por um período mínimo de 14 a 21 dias, dependendo do agente isolado e da evolução clínica.
Na meningite bacteriana neonatal, o LCR tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos, aumento de proteínas e redução da glicose. A celularidade pode ser variável, mas a presença de neutrófilos é um forte indicativo de infecção bacteriana.
A ampicilina é essencial para cobrir a Listeria monocytogenes, um patógeno importante na meningite neonatal, especialmente na sepse tardia. A Listeria é intrinsecamente resistente às cefalosporinas de terceira geração, tornando a ampicilina indispensável para um tratamento empírico eficaz.
Na sepse precoce (<7 dias), os agentes mais comuns são Streptococcus agalactiae (GBS) e Escherichia coli. Na sepse tardia (>7 dias), além desses, incluem-se Listeria monocytogenes, Staphylococcus aureus e outros gram-negativos, justificando a cobertura mais ampla.
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