Meningite Neonatal: Diagnóstico e Agente Etiológico Comum

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023

Enunciado

Neonato de 15 dias apresenta-se com febre, irritabilidade, recusa alimentar. Pré-natal sem intercorrências, pesquisa de Streptococcus B não realizada, parto cesáreo, a termo. Exame físico: REG, anictérica, eupneica, fontanela anterior tensa e abaulada, rigidez de nuca, desvio do olhar e desidratado, grau 2, hemoglicoteste 68 mg/dL. Iniciada hidratação parenteral e coleta de exames: líquor turvo, proteínas 385 mg/dL, glicose 42 mg/dL, proteína C reativa 0,9, lactato 7,6, hemácias 250, células 9500, sendo 93% neutrófilos, bacterioscopia evidenciou coco grampositivo. Hemograma: leucocitose com desvio à esquerda, determinando um alto risco para desenvolvimento de sepse neonatal; proteína C reativa elevada; rX de tórax normal. Qual seria o agente etiológico desse quadro?

Alternativas

  1. A) Listeria monocytogenes.
  2. B) Estreptococo do grupo A.
  3. C) Estreptococo do grupo B.
  4. D) Spreptococcus pneumoniae.
  5. E) Staphylococcus aurus.

Pérola Clínica

Neonato 15d + sinais meníngeos + líquor turvo/neutrofílico + coco gram-positivo → Meningite por GBS.

Resumo-Chave

A meningite neonatal é uma emergência pediátrica grave. O Streptococcus do grupo B (GBS) é o agente etiológico mais comum na meningite neonatal de início precoce e tardio, especialmente em neonatos com fatores de risco como pré-natal incompleto ou pesquisa de GBS materna não realizada.

Contexto Educacional

A meningite neonatal é uma infecção grave do sistema nervoso central que ocorre em recém-nascidos, com alta morbimortalidade. É mais comum em neonatos prematuros ou com baixo peso ao nascer, mas pode afetar qualquer recém-nascido. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para melhorar o prognóstico e prevenir sequelas neurológicas. Os agentes etiológicos mais comuns incluem Streptococcus do Grupo B (GBS), Escherichia coli e Listeria monocytogenes. O diagnóstico baseia-se na suspeita clínica, análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) e culturas. Sinais como febre, irritabilidade, recusa alimentar, fontanela abaulada e rigidez de nuca devem levantar a suspeita. A punção lombar é essencial para a coleta do LCR, que deve ser analisado quanto à celularidade, bioquímica (proteínas e glicose) e bacterioscopia. A presença de cocos gram-positivos no LCR de um neonato com quadro clínico compatível é altamente sugestiva de infecção por GBS. O tratamento da meningite neonatal é empírico e deve ser iniciado imediatamente após a coleta dos exames, antes mesmo dos resultados das culturas. Geralmente, envolve a combinação de antibióticos de amplo espectro que cubram os principais patógenos, como ampicilina e um aminoglicosídeo (gentamicina) ou cefalosporina de terceira geração (cefotaxima). O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e tratamento, da virulência do agente e da presença de complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de meningite em neonatos?

Em neonatos, os sinais de meningite podem ser inespecíficos, incluindo febre, irritabilidade, recusa alimentar, letargia, vômitos, convulsões e, em casos mais avançados, fontanela abaulada e rigidez de nuca. A ausência de sinais clássicos torna o diagnóstico desafiador.

Como interpretar o líquor em um caso de meningite bacteriana neonatal?

O líquor em meningite bacteriana neonatal tipicamente apresenta-se turvo, com pleocitose (células elevadas, predominantemente neutrófilos), hiperproteinorraquia (proteínas elevadas) e hipoglicorraquia (glicose baixa). A bacterioscopia direta pode evidenciar o agente etiológico.

Qual a importância da pesquisa de Streptococcus do Grupo B no pré-natal?

A pesquisa de Streptococcus do Grupo B (GBS) na gestante é crucial para identificar portadoras e realizar profilaxia intraparto com antibióticos, reduzindo significativamente o risco de sepse e meningite neonatal de início precoce por GBS no recém-nascido.

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