UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019
Recém-nascido de 14 dias de vida é trazido à Unidade de Emergência Pediátrica com quadro clínico de tosse e febre alta há dois dias. Nas últimas 6 horas, mãe relata piora do quadro com recusa da mamada, hipoatividade e sonolência. Exame físico: T= 38,8ºC, FR= 72irpm, hipoativo, palidez cutânea. Líquor: Leucócitos= 110 mm³ (90% neutrófilos, 10% linfócitos), Glicose= 2mg/dL, Proteína= 234mg/dL. Glicemia 55mg/dL. OS AGENTES ETIOLÓGICOS A SEREM TRATADOS SÃO:
Meningite neonatal: <1 mês, febre, hipoatividade, líquor alterado → cobrir E. coli, S. agalactiae, L. monocytogenes.
O quadro clínico e laboratorial (febre, hipoatividade, líquor com pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia) são altamente sugestivos de meningite bacteriana em um recém-nascido. Os principais agentes etiológicos a serem cobertos empiricamente nessa faixa etária são Escherichia coli, Streptococcus agalactiae (GBS) e Listeria monocytogenes.
A meningite neonatal é uma infecção grave do sistema nervoso central que ocorre nos primeiros 28 dias de vida. Sua incidência é maior em prematuros e recém-nascidos de baixo peso. A apresentação clínica é frequentemente inespecífica, o que torna o diagnóstico um desafio e exige alta suspeição. Sinais como febre, hipotermia, letargia, irritabilidade, recusa alimentar e convulsões devem levantar a suspeita. Os principais agentes etiológicos da meningite neonatal são adquiridos durante o parto ou no período pós-natal. Os mais comuns incluem Streptococcus agalactiae (GBS), Escherichia coli e Listeria monocytogenes. Outros agentes menos frequentes podem incluir Klebsiella spp., Enterobacter spp. e Staphylococcus aureus. A análise do líquor cefalorraquidiano é fundamental para o diagnóstico, revelando pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia. Devido à gravidade da doença e à inespecificidade dos sintomas, a antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente após a coleta do líquor, cobrindo os agentes mais prováveis. A combinação padrão inclui Ampicilina (para cobrir Listeria monocytogenes e GBS) e uma cefalosporina de terceira geração, como Cefotaxima (eficaz contra E. coli e outros bacilos Gram-negativos). A duração do tratamento é prolongada, geralmente de 14 a 21 dias, dependendo do agente e da evolução clínica.
Os sinais são inespecíficos e podem incluir febre ou hipotermia, irritabilidade, letargia, recusa alimentar, vômitos, convulsões, abaulamento de fontanela, apneia e icterícia. Sinais clássicos de irritação meníngea são raros em neonatos.
O líquor tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos (>100 células/mm³), hipoglicorraquia (glicose <30 mg/dL ou <40% da glicemia sérica) e hiperproteinorraquia (>100 mg/dL).
A terapia empírica inicial geralmente inclui Ampicilina (para Listeria e GBS) associada a uma cefalosporina de terceira geração como Cefotaxima (para E. coli e outros Gram-negativos). Gentamicina pode ser adicionada em alguns protocolos.
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