UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2015
Paciente admitido com síndrome de hipertensão craniana e quadro febril agudo. Submetido à coleta de liquor e iniciada terapia com ceftriaxona. O exame de liquor demonstrou meningite meningocócica. Neste caso, recomenda-se a seguinte conduta:
Meningite meningocócica: Quimioprofilaxia para contatos íntimos e vacinação de bloqueio em surtos são cruciais.
A meningite meningocócica é uma emergência médica e de saúde pública. Além do tratamento do paciente, a quimioprofilaxia dos contatos próximos é fundamental para conter a disseminação, e a vacinação de bloqueio é uma medida importante em situações de surto.
A meningite meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis, é uma infecção grave das meninges que pode levar a sequelas neurológicas permanentes ou morte. É uma doença de notificação compulsória e de grande importância em saúde pública devido ao seu potencial epidêmico. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, e a doença pode afetar indivíduos de qualquer idade, com maior incidência em crianças e adolescentes. O diagnóstico é feito pela análise do líquor, que tipicamente mostra pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia. A cultura do líquor ou PCR confirma a etiologia. O tratamento empírico inicial para meningite bacteriana em adultos geralmente inclui ceftriaxona ou cefotaxima, com vancomicina adicionada em áreas de alta resistência a penicilinas/cefalosporinas. Uma vez confirmada a meningite meningocócica, a ceftriaxona é um tratamento eficaz. Além do tratamento do paciente, medidas de controle epidemiológico são cruciais. A quimioprofilaxia dos contatos íntimos deve ser realizada o mais rápido possível para prevenir casos secundários. Em situações de surto, a vacinação de bloqueio com vacinas meningocócicas conjugadas ou polissacarídicas é uma estratégia importante para conter a disseminação da doença na comunidade. A duração da antibioticoterapia para meningite meningocócica é geralmente de 7 dias, não 14 dias, a menos que haja complicações. Precauções com gotículas são necessárias nas primeiras 24 horas de antibioticoterapia eficaz.
A quimioprofilaxia é indicada para contatos íntimos do caso índice, incluindo moradores da mesma casa, parceiros sexuais, e profissionais de saúde expostos a secreções respiratórias sem proteção adequada. O paciente também pode receber profilaxia antes da alta se o tratamento não erradicar o germe da nasofaringe.
Os medicamentos de escolha incluem rifampicina (oral), ceftriaxona (IM) e ciprofloxacino (oral). A escolha depende da idade, estado de gravidez e outras contraindicações.
A vacinação de bloqueio é recomendada em situações de surto, quando há múltiplos casos em uma comunidade ou instituição, para limitar a disseminação da doença e proteger a população em risco.
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