UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020
Homem, 20 anos de idade, é levado ao pronto socorro com de dor de cabeça e febre alta há 2 dias, e acompanhante refere sonolência e confusão há 6 horas. Exame físico: sonolento, PA = 85x50 mmHg, FC = 110 bpm, Temperatura axilar = 39,6º, rigidez de nuca e petéquias difusas pelo corpo. Líquor = 750 (até 4 mm³) células com 85% de neutrófilos e 15% de linfócitos, proteína 300 mg/dL (até 40 mg/dL), lactato 82 ml/dL (8 a 19 mg/dL), glicose 12 mg/dL (glicose sérica 120mg/dL), e presença de diplococos gram negativos. Qual é o agente causal e o tratamento?
Febre, cefaleia, rigidez de nuca, petéquias + líquor com neutrofilia, hipoglicorraquia, hiperproteinorraquia, diplococos Gram-negativos → Meningite Meningocócica.
O quadro clínico de febre, cefaleia, rigidez de nuca, petéquias e choque, associado a um líquor com pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e diplococos Gram-negativos, é altamente sugestivo de meningite meningocócica, causada pela Neisseria meningitidis, que requer tratamento imediato com Ceftriaxona.
A meningite bacteriana é uma emergência médica com alta morbidade e mortalidade, especialmente se o tratamento for atrasado. A Neisseria meningitidis é um dos principais agentes etiológicos, particularmente em adultos jovens, e pode causar meningococcemia, uma forma grave com sepse e coagulação intravascular disseminada, manifestada por petéquias e choque. O reconhecimento precoce dos sintomas e sinais é crucial. O diagnóstico é baseado na tríade clássica de febre, cefaleia e rigidez de nuca, mas pode haver alterações do estado mental, convulsões e, no caso da meningococcemia, rash petequial ou purpúrico e sinais de choque. A punção lombar para análise do líquor é fundamental, revelando pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia, hiperproteinorraquia e, muitas vezes, a presença de diplococos Gram-negativos, que confirmam a suspeita de Neisseria meningitidis. O tratamento deve ser iniciado imediatamente após a coleta de culturas, mesmo antes dos resultados. A Ceftriaxona, uma cefalosporina de terceira geração, é o antibiótico de escolha devido à sua excelente penetração no SNC e eficácia contra os patógenos mais comuns. Além da antibioticoterapia, o manejo inclui suporte hemodinâmico para o choque, controle da pressão intracraniana e, em alguns casos, corticosteroides adjuntos. A profilaxia dos contatos próximos também é uma medida importante para conter a disseminação da doença.
Na meningite bacteriana, o líquor tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia (glicose <40% da sérica), hiperproteinorraquia (>45 mg/dL) e lactato elevado, além da possível visualização de bactérias na coloração de Gram.
A Ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração com excelente penetração no sistema nervoso central, alta eficácia contra Neisseria meningitidis e boa cobertura para outros patógenos comuns de meningite bacteriana, sendo administrada por via intravenosa.
Sinais de alerta de gravidade incluem rebaixamento do nível de consciência, hipotensão (choque), petéquias ou púrpura (sugerindo meningococcemia), convulsões, sinais de herniação cerebral e coagulopatia, indicando a necessidade de suporte intensivo imediato.
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