INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Você atende um menino com um ano de idade, história de febre alta, falta de apetite e irritabilidade há dois dias. A mãe informa que a vacinação está completa. Hoje pela manhã surgiram petéquias no corpo do paciente. Ao exame físico apresentava rigidez de nuca. A bacterioscopia do líquor mostrou a presença de meningococos. Considerando o período de transmissão da infecção e o fato do paciente ter um irmão de quatro anos de idade, qual a alternativa que indica a conduta para a proteção dos contactantes em casa?
Meningite meningocócica → Rifampicina 10mg/kg (máx 600mg) 12/12h por 2 dias para todos os contatos próximos.
A quimioprofilaxia visa eliminar o estado de portador na nasofaringe de contatos próximos, independentemente do estado vacinal, para prevenir casos secundários.
A doença meningocócica, causada pela Neisseria meningitidis, é uma das formas mais graves de meningite bacteriana devido ao seu potencial epidêmico e alta letalidade. A transmissão ocorre por meio de gotículas e secreções nasofaríngeas. O período de transmissibilidade persiste até que o agente seja eliminado da nasofaringe, o que geralmente ocorre após 24 horas de antibioticoterapia eficaz. A quimioprofilaxia é uma medida de saúde pública crucial. Ela não se destina a tratar uma infecção já estabelecida, mas sim a interromper a cadeia de transmissão. A rifampicina é eficaz porque atinge altas concentrações nas secreções respiratórias. É fundamental que a profilaxia seja estendida a todos os contatos domiciliares, independentemente da idade ou histórico vacinal, pois a vacina pode não cobrir o sorogrupo específico do surto ou o tempo para produção de anticorpos pós-vacinais seria insuficiente para proteção imediata.
A quimioprofilaxia é indicada para todos os contatos próximos de um caso confirmado ou suspeito de doença meningocócica. Isso inclui moradores do mesmo domicílio, indivíduos que compartilham o mesmo dormitório (como em alojamentos ou quartéis), contatos em creches e escolas, e profissionais de saúde que realizaram procedimentos invasivos sem proteção (como intubação orotraqueal). O objetivo principal é erradicar o meningococo da nasofaringe desses indivíduos para evitar a propagação da bactéria e o surgimento de casos secundários, que costumam ocorrer nos primeiros dias após o caso índice. A eficácia é maior quando administrada nas primeiras 24 horas após o diagnóstico do caso inicial.
A rifampicina é a droga de escolha para a quimioprofilaxia da doença meningocócica no Brasil. Para adultos, a dose recomendada é de 600 mg, por via oral, a cada 12 horas, durante dois dias (total de 4 doses). Em crianças com mais de um mês de vida, a dose é de 10 mg/kg de peso corporal (não excedendo 600 mg por dose), também a cada 12 horas por dois dias. Para recém-nascidos com menos de um mês, a dose é reduzida para 5 mg/kg a cada 12 horas por dois dias. É importante orientar o paciente sobre os efeitos colaterais, como a coloração alaranjada da urina, suor e lágrimas, além da interação com anticoncepcionais orais.
Sim, em situações onde a rifampicina é contraindicada (como em gestantes, embora o risco-benefício deva ser avaliado, ou em casos de hipersensibilidade), outras opções podem ser utilizadas. A ceftriaxona é uma alternativa eficaz, administrada em dose única por via intramuscular (250 mg para adultos e 125 mg para crianças menores de 12 anos), sendo a escolha preferencial para gestantes. Outra opção para adultos é a ciprofloxacina em dose única de 500 mg por via oral, embora seu uso em crianças seja restrito a situações específicas devido a preocupações com a cartilagem de crescimento, apesar de estudos recentes mostrarem segurança em doses únicas.
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