Meningite Meningocócica: Quimioprofilaxia de Contatos e Conduta

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Uma criança de 2 anos de idade é admitida no pronto socorro com quadro de febre alta, com início há 6 horas, intensa agitação e rigidez de nuca. O exame do LCR mostrou presença de bactérias (diplococus gram-negativos). A anamnese revelou que a criança mora com os pais e dois irmãos, de 2 e 5 anos de idade. O atendimento da criança foi feito por um médico e um enfermeiro, não envolvendo contato com secreções nasofaríngeas. Nesse caso as normas do Ministério da Saúde recomendam as seguintes medidas de quimioprofilaxia de contatos e comunicantes:

Alternativas

  1. A) Rifampicina para os familiares e observação do médico e enfermeiro.
  2. B) Ciprofloxacino para os familiares e observação do médico e enfermeiro.
  3. C) Rifampicina para os familiares e para o médico e enfermeiro.
  4. D) Ciprofloxacino para os familiares e para o médico e enfermeiro.

Pérola Clínica

Meningite meningocócica: contatos íntimos → quimioprofilaxia (Rifampicina/Ceftriaxona/Ciprofloxacino). Profissionais sem contato direto → observação.

Resumo-Chave

A meningite por Neisseria meningitidis (diplococos gram-negativos) é altamente contagiosa. A quimioprofilaxia é indicada para contatos íntimos (familiares, creche) para prevenir casos secundários. Profissionais de saúde sem contato direto com secreções nasofaríngeas do paciente não necessitam de profilaxia, apenas observação.

Contexto Educacional

A meningite meningocócica, causada por Neisseria meningitidis, é uma infecção bacteriana grave que pode levar a alta morbidade e mortalidade. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias de pessoas colonizadas ou infectadas. A identificação de diplococos gram-negativos no LCR é altamente sugestiva de N. meningitidis. A rápida instituição de tratamento e a quimioprofilaxia dos contatos são cruciais para controlar a disseminação da doença. As diretrizes do Ministério da Saúde para quimioprofilaxia visam proteger os contatos íntimos do paciente, que possuem risco aumentado de desenvolver a doença. Contatos íntimos incluem familiares coabitantes, colegas de creche/escola e qualquer pessoa com exposição direta a secreções respiratórias. Para esses, a profilaxia é fortemente recomendada, sendo a Rifampicina a droga de escolha para a maioria das faixas etárias, com Ceftriaxona e Ciprofloxacino (para adultos) como alternativas. No entanto, para profissionais de saúde, a indicação de quimioprofilaxia é mais restrita. Apenas aqueles que tiveram contato direto e prolongado com secreções nasofaríngeas do paciente sem proteção adequada (ex: intubação, aspiração, ressuscitação boca a boca) são considerados de alto risco e necessitam de profilaxia. No caso da questão, o médico e o enfermeiro que não tiveram contato com secreções nasofaríngeas não se enquadram nesse critério e, portanto, devem apenas ser observados para o surgimento de sintomas, sem necessidade de quimioprofilaxia.

Perguntas Frequentes

Quem são considerados contatos íntimos para quimioprofilaxia da meningite meningocócica?

Contatos íntimos incluem coabitantes, colegas de creche/escola, parceiros sexuais e pessoas expostas diretamente a secreções respiratórias do paciente (ex: beijo, intubação sem máscara).

Quais são os medicamentos recomendados para quimioprofilaxia da meningite meningocócica?

Os medicamentos recomendados são Rifampicina (oral), Ceftriaxona (IM) e Ciprofloxacino (oral, para adultos). A escolha depende da idade e contraindicações.

Quando profissionais de saúde precisam de quimioprofilaxia após exposição à meningite meningocócica?

Profissionais de saúde só necessitam de quimioprofilaxia se tiverem tido contato direto e prolongado com secreções nasofaríngeas do paciente sem uso adequado de EPI, como durante intubação, aspiração ou ressuscitação boca a boca.

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