Meningite Meningocócica: Diagnóstico Rápido e Sinais de Alerta

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2025

Enunciado

Uma jovem de 18 anos admitida em serviço de emergência com cefaleia e febre há 6 horas, mostra, ao exame físico, sonolência, T de 38,9 graus Celsius, rigidez de nuca lesões petequiais cutâneas e subconjuntivais, além de hipotensão. A punção lombar revela Líquor turvo, citometria de 500/cm3; glicose de 20 mg/dl; coloração pelo método gram com cocos gram negativos aos pares sugerindo infecção meníngea por:

Alternativas

  1. A) Streptococcus Pneumoniae.
  2. B) Neisseria Meningitidis.
  3. C) Haemophilus influenzae.
  4. D) Herpes Simples.
  5. E) Mycobacterium Tuberculosis.

Pérola Clínica

Febre + rigidez de nuca + petéquias + diplococos Gram-negativos no LCR → Meningite meningocócica.

Resumo-Chave

A presença de manifestações cutâneas (petéquias/púrpura) e instabilidade hemodinâmica (hipotensão) em um quadro de meningite aguda é altamente sugestiva de meningococcemia por *Neisseria meningitidis*. A coloração de Gram do líquor, revelando diplococos Gram-negativos intracelulares, confirma a suspeita.

Contexto Educacional

A meningite meningocócica, causada pela bactéria *Neisseria meningitidis*, é uma emergência médica com alta morbimortalidade, afetando principalmente crianças, adolescentes e adultos jovens. Sua importância clínica reside na rápida progressão para choque séptico (meningococcemia) e óbito se não tratada prontamente, além do potencial para surtos epidêmicos, exigindo notificação compulsória e quimioprofilaxia de contatos. O diagnóstico é suspeitado pela tríade clássica de febre, cefaleia e rigidez de nuca, mas a presença de sinais de alarme como petéquias, púrpura e instabilidade hemodinâmica eleva muito a suspeita. A confirmação é feita pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), que tipicamente se apresenta turvo, com pleocitose (aumento de células, >90% de neutrófilos), hipoglicorraquia acentuada (<40 mg/dL) e proteinorraquia elevada. O achado de diplococos Gram-negativos na coloração de Gram é altamente específico. O tratamento deve ser iniciado imediatamente após a suspeita clínica, sem aguardar a confirmação laboratorial. A antibioticoterapia de escolha é a ceftriaxona em altas doses. Medidas de suporte para o choque séptico, como reposição volêmica e uso de vasopressores, são cruciais. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, mas sequelas neurológicas, como surdez e déficits cognitivos, podem ocorrer.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme para gravidade na meningite meningocócica?

Os principais sinais de alarme são o desenvolvimento de lesões purpúricas ou petequiais extensas (púrpura fulminante), hipotensão arterial, rebaixamento do nível de consciência e sinais de choque séptico, que indicam meningococcemia e alta mortalidade.

Qual a conduta imediata na suspeita de meningite bacteriana antes mesmo do resultado do LCR?

A conduta imediata é a antibioticoterapia empírica intravenosa, idealmente com ceftriaxona, associada à dexametasona (para prevenir sequelas neurológicas, especialmente no pneumococo). A terapia não deve ser atrasada pela realização da punção lombar ou de exames de imagem.

Como diferenciar a meningite meningocócica da pneumocócica pelos achados clínicos e do LCR?

Clinicamente, a presença de petéquias/púrpura fala fortemente a favor do meningococo. No LCR, ambos causam líquor purulento com pleocitose neutrofílica e hipoglicorraquia, mas a coloração de Gram é o diferencial chave: diplococos Gram-negativos (meningococo) vs. diplococos Gram-positivos (pneumococo).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo