UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Menina, 8 meses, é internada com meningite causada por diplococos corados de rosa, pelo método de Gram. Pode-se afirmar que, segundo o “Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde (MS)” de 2022, para se evitar a transmissão para contactantes, o tipo de precaução e o respectivo tempo após início de antibioticoterapia em que a bebê deverá ficar em precaução é:
Meningite por meningococo → Precaução por gotículas por 24h após início do ATB eficaz.
Diplococos Gram-negativos (corados de rosa) em líquor sugerem Neisseria meningitidis. O Guia do MS preconiza isolamento por gotículas até completar 24 horas de tratamento antibiótico adequado.
A meningite meningocócica é uma doença de notificação compulsória imediata devido ao seu potencial epidêmico e alta letalidade. O diagnóstico laboratorial rápido, frequentemente iniciado pela coloração de Gram (revelando diplococos Gram-negativos), é crucial para a instituição precoce da terapia e das medidas de controle. O manejo adequado envolve não apenas o tratamento do paciente, mas a proteção da comunidade e dos profissionais de saúde. A adesão rigorosa aos protocolos de precaução por gotículas nas primeiras 24 horas reduz drasticamente o risco de surtos hospitalares. Além disso, a vigilância epidemiológica deve identificar os contatos para profilaxia em até 48 horas após a identificação do caso índice.
A precaução por gotículas é indicada para patógenos transmitidos por partículas maiores que 5 micras, que viajam curtas distâncias (geralmente até 1,5 a 2 metros), como a Neisseria meningitidis e o Haemophilus influenzae tipo b. Nesses casos, o profissional deve utilizar máscara cirúrgica ao entrar no quarto. Já a precaução aérea é reservada para partículas menores (aerossóis) que permanecem suspensas no ar, como no caso da tuberculose, sarampo e varicela, exigindo o uso de máscara N95 ou PFF2 e quarto com pressão negativa. Na meningite meningocócica, a transmissão ocorre por contato próximo com secreções respiratórias, justificando a precaução por gotículas.
O objetivo principal do isolamento respiratório na meningite meningocócica é prevenir a transmissão da bactéria a partir da nasofaringe do paciente para outras pessoas. Estudos demonstram que o uso de antibióticos eficazes, como a ceftriaxona ou a penicilina em doses terapêuticas, é capaz de eliminar a presença da Neisseria meningitidis da orofaringe em um curto período. O Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde estabelece que, após 24 horas de antibioticoterapia adequada, o paciente deixa de ser infectante, permitindo a suspensão das precauções específicas de gotículas e o retorno à precaução padrão, desde que clinicamente estável.
A quimioprofilaxia está indicada para os contatos próximos de casos confirmados de doença meningocócica para erradicar o estado de portador e prevenir casos secundários. São considerados contatos próximos: moradores do mesmo domicílio, indivíduos que compartilham o mesmo dormitório (alojamentos, quartéis), contatos em creches e escolas, e profissionais de saúde que realizaram procedimentos invasivos sem proteção (como intubação orotraqueal ou aspiração de secreções). A droga de escolha no Brasil costuma ser a rifampicina, mas ceftriaxona ou ciprofloxacino também podem ser utilizados dependendo da faixa etária e condições clínicas (como gestação).
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