Meningite Meningocócica: Diagnóstico e Conduta Terapêutica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Um homem com 68 anos de idade é admitido em um Serviço de Emergência com febre alta, calafrios, cefaleia intensa, náuseas e vômitos, iniciados há 48 horas. A acompanhante do paciente informou que ele apresentou quadro de prostração e dor de garganta há cinco dias, porém não procurou atendimento médico. Ao exame físico, apresentava-se em regular estado geral, letárgico e com raras lesões petequiais em tornozelos. O exame neurológico revelou sinais de irritação meníngea – rigidez de nuca, sinais de Kernig e Brudzinski. Foram solicitados exames complementares: • Sangue: o Hemoglobina = 12,3 g/dL (Valor de referência = 13,5 - 17,5 g/dL); o Leucócitos = 17.500/mm³ (Valor de referência = 4.500 - 11.000/mm³), às custas de neutrofilia, com desvio à esquerda; o Plaquetas = 127.000/mm³ (Valor de referência = 150.000-350.000/mm³); o Velocidade de hemossedimentação = 76 mm/h (Valor de referência = 0-17 mm/h). • Liquor: o Turvo, de aspecto purulento, com aumento do número de leucócitos e predomínio de neutrófilos polimorfonucleares; glicose e cloretos diminuídos, proteínas aumentadas; pesquisa direta para fungos negativa, bacterioscopia evidenciando a presença de diplococos Gram-negativos e cultura em andamento. Com base no quadro apresentado, qual o antibiótico de primeira escolha a ser administrado?

Alternativas

  1. A) Ampicilina.
  2. B) Cloranfenicol.
  3. C) Ceftriaxona.
  4. D) Penicilina cristalina.

Pérola Clínica

Diplococos Gram-negativos no líquor + febre + rigidez de nuca = Meningite Meningocócica → Ceftriaxona.

Resumo-Chave

A presença de diplococos Gram-negativos no líquor é patognomônica de Neisseria meningitidis. O tratamento de escolha é uma cefalosporina de 3ª geração devido à excelente penetração no SNC.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos para reduzir a mortalidade e sequelas neurológicas. A Neisseria meningitidis é um dos agentes mais comuns e pode causar quadros fulminantes, muitas vezes acompanhados de lesões purpúricas ou petequiais (meningococcemia). O manejo inicial envolve a estabilização do paciente, coleta de hemoculturas e líquor (se não houver contraindicações como sinais de hipertensão intracraniana) e início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro. A quimioprofilaxia para contatos próximos também deve ser considerada assim que o diagnóstico de doença meningocócica for suspeitado ou confirmado.

Perguntas Frequentes

O que a bacterioscopia com diplococos Gram-negativos indica?

Esse achado é altamente sugestivo de infecção por Neisseria meningitidis (meningococo). Em um contexto clínico de febre alta, cefaleia, vômitos e sinais de irritação meníngea (Kernig e Brudzinski), ele confirma o diagnóstico de meningite meningocócica, permitindo o direcionamento da terapia antimicrobiana.

Por que a Ceftriaxona é o antibiótico de escolha?

A Ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração que apresenta excelente atividade contra os principais patógenos da meningite bacteriana, incluindo o meningococo e o pneumococo. Possui ótima penetração na barreira hematoencefálica inflamada e um perfil de segurança bem estabelecido, sendo a droga de escolha enquanto se aguarda o antibiograma.

Quais as características do líquor na meningite bacteriana?

O líquor tipicamente apresenta-se turvo ou purulento, com pleocitose importante (aumento de leucócitos) com predomínio de polimorfonucleares (neutrófilos). Há também hiperproteinorraquia (proteínas aumentadas) e hipoglicorraquia (glicose diminuída), refletindo o consumo de glicose pelas bactérias e a resposta inflamatória intensa.

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