Meningite Crônica: Diagnóstico Diferencial e LCR

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021

Enunciado

Homem,55 anos de idade, natural e procedente de São Paulo, procura PS com cefaleia há 3 semanas e piora nos últimos dias, tornando-se refratária a analgésicos. Sem outras queixas. Nega comorbidades. TC de crânio: sem visualização de lesões expansivas. Líquido cefalorraquidiano: 350 células/mm3 , predomínio de linfócitos, glicose normal e ausência de bactérias na pesquisa direta. Quais são as principais hipóteses diagnósticas?

Alternativas

  1. A) Tuberculose, paracoccidioidomicose, coccidioidomicose.
  2. B) Tuberculose, paracoccidioidomicose, esporotricose.
  3. C) Tuberculose, esporotricose, nocardiose.
  4. D) Tuberculose, criptococose, histoplasmose.

Pérola Clínica

Meningite crônica com LCR linfocitário e glicose normal → Tuberculose, Criptococose, Histoplasmose.

Resumo-Chave

O quadro de cefaleia subaguda/crônica com alterações liquóricas de pleocitose linfocitária, glicose normal e ausência de bactérias na pesquisa direta sugere meningite crônica. As principais etiologias a serem consideradas nesse contexto são tuberculose e infecções fúngicas, como criptococose e histoplasmose, especialmente em pacientes com fatores de risco ou imunossupressão.

Contexto Educacional

A meningite crônica é uma síndrome inflamatória das leptomeninges que persiste por mais de quatro semanas, representando um desafio diagnóstico significativo. É menos comum que a meningite aguda, mas possui etiologias diversas e frequentemente graves, sendo crucial para a formação de residentes. O quadro clínico é insidioso, com cefaleia persistente, febre baixa, rigidez de nuca discreta e outros sinais neurológicos focais ou difusos. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é fundamental, revelando tipicamente pleocitose linfocitária, proteínas elevadas e glicose normal ou ligeiramente baixa. A tomografia computadorizada (TC) de crânio pode ser normal ou mostrar hidrocefalia e realce meníngeo. As principais causas de meningite crônica com padrão linfocitário no LCR incluem infecções (tuberculose, criptococose, histoplasmose, sífilis, brucelose, HIV), doenças inflamatórias não infecciosas (sarcoidose, lúpus eritematoso sistêmico) e neoplasias (carcinomatose meníngea). A tuberculose meníngea e as meningites fúngicas (criptococose, histoplasmose) são particularmente importantes no Brasil, exigindo alta suspeição e exames diagnósticos específicos para um tratamento eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do LCR em casos de meningite crônica por tuberculose ou fungos?

O LCR tipicamente apresenta pleocitose linfocitária (aumento de linfócitos), glicose normal ou discretamente reduzida, proteínas elevadas e ausência de bactérias na coloração de Gram.

Quando se deve suspeitar de meningite crônica em um paciente com cefaleia?

Deve-se suspeitar quando a cefaleia persiste por mais de 4 semanas, é progressiva, refratária a analgésicos e acompanhada de outros sintomas neurológicos ou sistêmicos, mesmo que inespecíficos.

Quais exames complementares são importantes para o diagnóstico de meningite fúngica ou tuberculosa?

Além da análise do LCR, são importantes culturas específicas (para fungos e micobactérias), pesquisa de antígenos (ex: criptococo), PCR para micobactérias, e, em alguns casos, biópsia de meninge ou cérebro.

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