FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Homem de 24 anos, com infecção pelo HIV, apresenta cefaleia progressiva, fotofobia e náuseas há 1 mês. Exames recentes mostram CD4 de 156 células/mm3 e carga viral de 2.900 cópias/mL. Ele relata descumprimento ocasional de seu regime de 3 drogas antirretrovirais. A tomografia (TC) de crânio é normal e o líquor confirma o diagnóstico de meningite criptocócica, sendo iniciada a anfotericina B lipossomal e fluocitosina. Na avaliação de 2 semanas, considerando essa infecção do SNC, é(são) recomendado(s):
Meningite criptocócica em HIV → PL de controle após 2 semanas de tratamento para avaliar esterilização do líquor.
Em pacientes com meningite criptocócica e HIV, especialmente com imunossupressão grave (CD4 baixo), a punção lombar de controle após 2 semanas de tratamento é essencial para avaliar a resposta terapêutica e a esterilização do líquor, guiando a continuidade do tratamento.
A meningite criptocócica é uma infecção oportunista grave do sistema nervoso central, comum em pacientes com HIV e imunossupressão avançada, com contagens de CD4 geralmente abaixo de 200 células/mm³. É uma das principais causas de mortalidade em indivíduos com AIDS, especialmente em regiões de alta prevalência. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para o prognóstico. A fisiopatologia envolve a inalação de esporos de Cryptococcus neoformans, que se disseminam para o SNC, causando inflamação meníngea. O diagnóstico é confirmado pela detecção do fungo no líquor (tinta da China, cultura ou teste de antígeno criptocócico). O tratamento inicial consiste em terapia de indução com anfotericina B (preferencialmente lipossomal) e fluocitosina por 2 semanas. Após a fase de indução, é fundamental realizar uma punção lombar de controle para avaliar a esterilização do líquor e guiar a transição para a fase de consolidação com fluconazol. A falha na esterilização do líquor pode indicar resistência ou tratamento inadequado, necessitando de ajustes. O monitoramento da pressão intracraniana também é vital, pois a hipertensão intracraniana é uma causa comum de morbimortalidade.
A punção lombar de controle é necessária para avaliar a esterilização do líquor, ou seja, a eliminação do Cryptococcus neoformans, e monitorar a pressão de abertura, que pode estar elevada e requerer punções de alívio.
O tratamento inicial da meningite criptocócica grave geralmente envolve uma combinação de anfotericina B (lipossomal ou desoxicolato) e fluocitosina, seguida por fluconazol na fase de consolidação e manutenção.
O principal fator de risco é a imunossupressão grave, caracterizada por contagem de CD4 abaixo de 200 células/mm³, especialmente abaixo de 100 células/mm³, como visto no caso clínico.
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