Meningite Criptocócica em HIV: Diagnóstico e Tratamento

Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 20 anos, masculino, portador de HIV, CD4 38 células/mm³, virgem de tratamento, chega ao atendimento médico com cefaleia intensa, vômitos e alteração de comportamento. Ao exame físico não há sinais de irritação meníngea e nem sinais focais. TC de crânio com contraste: sem alterações. A pesquisa direta do agente infeccioso no liquor usando a tinta nanquim (tinta da China) foi positiva. Nesta situação o diagnóstico mais provável e a conduta mais acertada são:

Alternativas

  1. A) Meningite por Histoplasma – iniciar fluconazol endovenoso. 
  2. B) Meningite por Cryptococcus – iniciar anfotericina B.
  3. C) Meningite por Cryptosporidium – iniciar metronidazol.
  4. D) Neurotoxoplasmose – iniciar sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico.

Pérola Clínica

HIV CD4 < 100 + cefaleia + tinta nanquim positiva no líquor → Meningite Criptocócica.

Resumo-Chave

Em paciente HIV com CD4 muito baixo (<100 células/mm³), cefaleia, vômitos e alteração de comportamento, a pesquisa direta de Cryptococcus no líquor por tinta nanquim positiva é diagnóstica de meningite criptocócica. A conduta inicial é a indução com anfotericina B (geralmente lipossomal) associada à flucitosina, seguida de consolidação e manutenção.

Contexto Educacional

A meningite criptocócica é uma das infecções oportunistas mais comuns e graves em pacientes com HIV/AIDS, especialmente naqueles com contagem de CD4 abaixo de 100 células/mm³. É causada pelo fungo encapsulado Cryptococcus neoformans, que é inalado e pode disseminar-se para o sistema nervoso central. Os sintomas são frequentemente insidiosos e inespecíficos, incluindo cefaleia, febre, náuseas, vômitos e alterações do estado mental, e os sinais de irritação meníngea podem estar ausentes devido à imunossupressão. O diagnóstico é estabelecido pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). A pesquisa direta do agente infeccioso no líquor utilizando tinta nanquim (tinta da China) é um método rápido e sensível para identificar a cápsula do Cryptococcus, que aparece como um halo claro ao redor da levedura. Outros exames incluem a cultura de LCR para fungos e a detecção do antígeno criptocócico no LCR e/ou soro, que possui alta sensibilidade e especificidade. A tomografia computadorizada de crânio pode ser normal ou mostrar hidrocefalia. O tratamento é emergencial e consiste em uma fase de indução, geralmente com anfotericina B (preferencialmente lipossomal) associada à flucitosina, por um período de duas semanas. Após a indução, segue-se uma fase de consolidação com fluconazol em altas doses e, posteriormente, uma fase de manutenção com fluconazol em doses mais baixas, para prevenir recidivas. O manejo da pressão intracraniana elevada é um aspecto crítico do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais na meningite criptocócica em HIV?

Além da pesquisa de Cryptococcus por tinta nanquim positiva no líquor, pode-se encontrar cultura de líquor positiva, teste de aglutinação do látex para antígeno criptocócico positivo e, por vezes, pleocitose linfocítica e hipoglicorraquia.

Qual o tratamento inicial para meningite criptocócica em pacientes com HIV?

O tratamento de indução padrão é com anfotericina B (preferencialmente lipossomal) em combinação com flucitosina por duas semanas, seguido de fase de consolidação e manutenção com fluconazol.

Por que a tinta nanquim é útil no diagnóstico de criptococose?

A tinta nanquim permite visualizar a cápsula polissacarídica do Cryptococcus neoformans no líquor, que aparece como um halo claro ao redor da levedura, sendo um método rápido e de baixo custo para o diagnóstico presuntivo.

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