Meningite Bacteriana: Sinais, Líquor e Prognóstico

HPM - Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais — Prova 2015

Enunciado

Em relação à meningite bacteriana, nas afirmativas abaixo marque “V” para as Verdadeiras e “F” para as Falsas e, a seguir, marque a alternativa que contém a sequência de respostas CORRETA. (  ) Os sinais e sintomas são variáveis e guardam relação com a idade do paciente; (  ) As paralisias do 6º par são indicativas de anormalidades focais; (  ) A mudança no esquema terapêutico pode ser realizada baseando-se em resultado de bacterioscopia ou cultura ou técnicas que identifiquem antígenos capsulares; (  ) Um resultado de liquor normal elimina possibilidade de infecção do sistema nervoso central, uma vez que seguramente está associado à cultura negativa; (  ) A quantidade de antígeno capsular bacteriano do liquor está relacionada à gravidade da enfermidade e ao prognóstico. 

Alternativas

  1. A) V, F, V, V, F.
  2. B) V, F, F, F, V.
  3. C) F, V, F, F, V.
  4. D) V, V, V, F, F.

Pérola Clínica

Sinais de meningite variam com a idade (V); Paralisia 6º par = hipertensão intracraniana (F); Mudança terapêutica definitiva = cultura/antibiograma (F); Líquor normal NÃO exclui infecção SNC (F); Antígeno capsular ↑ = gravidade ↑ (V).

Resumo-Chave

A meningite bacteriana tem apresentação clínica variável conforme a idade. A paralisia do 6º par é um sinal de hipertensão intracraniana, não focal. A otimização do tratamento depende da cultura e antibiograma. Um líquor normal não exclui totalmente infecção do SNC, e a carga antigênica no líquor correlaciona-se com a gravidade e prognóstico.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para evitar sequelas neurológicas graves e óbito. A apresentação clínica é altamente variável e depende da idade do paciente, sendo inespecífica em neonatos e lactentes, e mais clássica em adultos. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas, como febre, cefaleia, rigidez de nuca e alteração do nível de consciência, é fundamental. A análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é a pedra angular do diagnóstico. Achados típicos incluem pleocitose com predomínio de neutrófilos, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia. Embora a microscopia de Gram possa identificar o agente em muitos casos, a cultura do LCR com antibiograma é essencial para a identificação definitiva do patógeno e para guiar a terapia antimicrobiana mais adequada, permitindo a de-escalada ou ajuste do esquema empírico. É importante notar que um líquor normal não exclui completamente a infecção do sistema nervoso central em todas as circunstâncias, especialmente em fases muito iniciais ou em pacientes imunocomprometidos. Além disso, a presença de paralisia do 6º par craniano (nervo abducente) é um sinal de hipertensão intracraniana, e não necessariamente de uma lesão focal específica do nervo. A carga de antígeno capsular bacteriano no líquor tem sido correlacionada com a gravidade da doença e o prognóstico, fornecendo informações adicionais para o manejo clínico.

Perguntas Frequentes

Como os sinais e sintomas da meningite bacteriana variam com a idade?

Em neonatos e lactentes, os sinais são inespecíficos, como irritabilidade, letargia, recusa alimentar e abaulamento de fontanela. Em crianças maiores e adultos, são mais clássicos, incluindo febre, cefaleia intensa, rigidez de nuca, fotofobia e alteração do nível de consciência.

Qual a importância da análise do líquor no diagnóstico da meningite bacteriana?

A análise do líquor é crucial para o diagnóstico da meningite bacteriana, revelando pleocitose com predomínio de neutrófilos, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia. A cultura do líquor é o padrão-ouro para identificar o agente etiológico e guiar o tratamento específico.

Por que a quantidade de antígeno capsular no líquor é relevante para o prognóstico?

A quantidade de antígeno capsular bacteriano no líquor reflete a carga bacteriana e a intensidade da resposta inflamatória. Níveis mais elevados de antígeno estão associados a maior gravidade da infecção, maior risco de complicações neurológicas e pior prognóstico.

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