Meningite Bacteriana em Lactentes: Diagnóstico e Conduta

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Enzo, um lactente de 10 meses de idade, previamente hígido e com esquema vacinal atualizado conforme o Calendário Nacional de Vacinação, é levado à Unidade de Pronto Atendimento com história de febre alta (39,5°C) há 18 horas, acompanhada de irritabilidade importante, recusa alimentar e dois episódios de vômitos em jato. Ao exame físico, o paciente apresenta-se gemente, em regular estado geral, com fontanela anterior plana, mas pulsátil e tensa à palpação. Não foram observadas petéquias ou sufusões hemorrágicas. Os sinais de Kernig e Brudzinski são de difícil avaliação pela idade, mas nota-se resistência à flexão passiva do pescoço. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) revelou os seguintes dados em texto corrido: aspecto turvo, contagem de células de 1.200/mm³ com predomínio de 90% de neutrófilos, níveis de glicose de 15 mg/dL (glicemia plasmática concomitante de 95 mg/dL) e proteínas de 150 mg/dL. A bacterioscopia pelo método de Gram não identificou microrganismos. Diante do quadro clínico e laboratorial apresentado, a conduta terapêutica imediata mais adequada para este paciente é:

Alternativas

  1. A) Iniciar antibioticoterapia empírica com Ceftriaxona associada à Vancomicina.
  2. B) Aguardar o resultado da cultura e do PCR para iniciar o tratamento específico.
  3. C) Prescrever Ampicilina e Gentamicina devido à alta probabilidade de Listeria monocytogenes.
  4. D) Iniciar Aciclovir intravenoso isoladamente, considerando a negatividade do Gram.

Pérola Clínica

Febre + Irritabilidade + Líquor (PMN ↑, Glicose ↓, Proteína ↑) → Meningite Bacteriana.

Resumo-Chave

A meningite bacteriana é uma emergência médica; o tratamento com antibióticos de amplo espectro deve ser iniciado imediatamente após a coleta do LCR, sem aguardar culturas.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana aguda em lactentes acima de 3 meses é causada principalmente por Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis. O caso de Enzo apresenta um perfil liquórico clássico de infecção bacteriana: pleocitose neutrofílica, consumo acentuado de glicose e aumento de proteínas. A fontanela tensa é um sinal clínico de hipertensão intracraniana decorrente do processo inflamatório meníngeo. A conduta imediata deve ser a estabilização e o início de antibioticoterapia venosa de amplo espectro. A escolha de Ceftriaxone e Vancomicina é a mais adequada para cobrir os patógenos prevalentes e seus perfis de resistência atuais. O uso de corticoides (como dexametasona) antes ou junto com a primeira dose de antibiótico é discutido em pediatria, sendo mais fortemente recomendado quando há suspeita de Haemophilus influenzae tipo b, visando reduzir o risco de perda auditiva.

Perguntas Frequentes

Quais as características do líquor na meningite bacteriana?

O líquor na meningite bacteriana tipicamente apresenta aspecto turvo ou purulento. Laboratorialmente, observa-se pleocitose acentuada (geralmente > 1.000 células/mm³) com predomínio de polimorfonucleares (neutrófilos > 80%), hipoglicorraquia importante (glicose < 40 mg/dL ou relação glicose líquor/sangue < 0,4) e hiperproteinorraquia (proteínas > 100 mg/dL). O Gram pode ser negativo em até 20-30% dos casos, mesmo em infecções bacterianas confirmadas por cultura.

Por que usar Vancomicina associada ao Ceftriaxone?

A associação de Vancomicina ao Ceftriaxone (ou Cefotaxima) é recomendada na terapia empírica inicial devido ao aumento global da resistência do Streptococcus pneumoniae às cefalosporinas de terceira geração. Enquanto o Ceftriaxone cobre Neisseria meningitidis e a maioria das cepas de pneumococo, a Vancomicina garante a cobertura contra cepas de S. pneumoniae com sensibilidade reduzida, assegurando tratamento eficaz para o patógeno mais comum nesta faixa etária.

Como identificar meningite em lactentes pequenos?

Em lactentes, os sinais clássicos de Kernig e Brudzinski são frequentemente ausentes ou difíceis de avaliar. O quadro clínico costuma ser inespecífico, manifestando-se por febre alta, irritabilidade persistente (choro inconsolável), recusa alimentar, vômitos e letargia. Sinais físicos cruciais incluem a fontanela tensa ou abaulada (mesmo com o paciente sentado) e a resistência à flexão do pescoço. A suspeita clínica deve sempre levar à punção lombar imediata, a menos que haja contraindicações.

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