Meningite Bacteriana e Choque Séptico Pediátrico: Manejo Urgente

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Criança de 3 anos de idade dá entrada no pronto socorro com história de febre alta há 1 dia, acompanhada de vômitos. Ao exame, encontra-se em MEG, obnubilada, com rigidez de nuca e lesões de pele compatíveis com vasculite. Enchimento vascular > 3 seg, PA = 40/20mmHg, T= 39,5⁰ C. Com base no quadro apresentado, você pode afirmar:

Alternativas

  1. A) É certamente um quadro de meningite meningocócica, devendo iniciar Penicilina Cristalina em altas doses e coleta de líquor para análise. Iniciar profilaxia a familiares e profissionais do PS com Rifampicina. Internamento em isolamento. 
  2. B) O quadro é compatível com meningite bacteriana e choque séptico, devendo ser iniciada cefalosporina de 3ª geração, precedida de dexametasona e infusão rápida de solução fisiológica EV 20 a 100 ml/kg/hora. Providenciar vaga em UTIP.
  3. C) O quadro é de meningite bacteriana e choque hipovolêmico. Solicita vaga em UTIP enquanto hidrata a criança com Solução Fisiológica 4 ml/kg/h e aguarda líquor para definir antibiótico a ser utilizado.
  4. D) É certamente meningite bacteriana com falência de suprarrenal, devendo iniciar Hidrocortisona imediatamente e Penicilina Cristalina em altas doses. Internar em isolamento.
  5. E) O quadro é de CIVD secundária a meningite por meningococo, seguindo a sequência iniciar Cefalosporina de 3ª geração, colher líquor, fazer volume para choque na forma de plasma fresco, iniciar corticosteróide EV e solicitar vaga na UTIP.

Pérola Clínica

Criança com febre, sinais meníngeos, obnubilação e choque → Meningite bacteriana + choque séptico = ATB (cefalosporina 3ªG) + Dexametasona + Volume rápido + UTIP.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre alta, alteração do nível de consciência, rigidez de nuca, lesões cutâneas vasculíticas e sinais de choque (hipotensão, enchimento capilar prolongado) em uma criança é altamente sugestivo de meningite bacteriana com choque séptico, provavelmente meningocócica. A prioridade é a estabilização hemodinâmica com fluidos e o início imediato de antibióticos de amplo espectro, juntamente com dexametasona.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana em crianças, especialmente quando complicada por choque séptico, é uma emergência médica com alta morbimortalidade. O agente etiológico mais comum em casos graves com vasculite e choque (purpura fulminans) é o Neisseria meningitidis. O reconhecimento precoce dos sinais de sepse e choque é vital para um desfecho favorável. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica e no início imediato da antibioticoterapia empírica de amplo espectro, geralmente com uma cefalosporina de terceira geração (como ceftriaxona ou cefotaxima), que tem boa penetração no sistema nervoso central. A dexametasona deve ser administrada antes ou concomitantemente à primeira dose do antibiótico para mitigar a resposta inflamatória e reduzir sequelas neurológicas. A ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides é fundamental para reverter o choque. A criança deve ser prontamente encaminhada para uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) para monitoramento contínuo e suporte avançado. A coleta de culturas (sangue, líquor) deve ser realizada antes da antibioticoterapia, se não houver atraso significativo no início do tratamento. A profilaxia para contatos próximos também é uma medida importante no caso de meningite meningocócica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para choque séptico em crianças com suspeita de meningite?

Sinais incluem taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), pulsos periféricos fracos, extremidades frias, hipotensão (sinal tardio), alteração do nível de consciência e lesões cutâneas como petéquias ou púrpura.

Qual a importância da dexametasona no tratamento da meningite bacteriana?

A dexametasona é administrada antes ou junto com a primeira dose do antibiótico para reduzir a inflamação na barreira hematoencefálica, diminuindo o risco de complicações neurológicas como perda auditiva e sequelas neurológicas, especialmente em meningites por Haemophilus influenzae tipo b e pneumococo.

Como deve ser a ressuscitação volêmica inicial no choque séptico pediátrico?

A ressuscitação volêmica deve ser agressiva, com infusão rápida de bolus de solução fisiológica 0,9% ou Ringer lactato (20 mL/kg) em 5-10 minutos, repetindo conforme a resposta hemodinâmica, até um máximo de 60-100 mL/kg na primeira hora, monitorando sinais de sobrecarga.

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