Meningite em Lactentes: Diagnóstico e Conduta Urgente

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2023

Enunciado

Lactente de 10 meses, previamente hígido, chegou ao pronto atendimento trazido pelos pais por ter apresentado crise convulsiva com perda da consciência que durou cerca de 20 minutos. A Mãe informou que o filho está com coriza e tosse há uma semana. Há 2 dias iniciou quadro de febre não aferida, inapetência e um episódio de vômito hoje. A chegada o paciente apresentava T: 38,2 °C, FC: 125 bpm, FR: 40 ipm, corado, hidratado, anictérico, acianótico, choroso e irritado. Fontanela plana, em ossificação. ORO: normal. OTO: hiperemia timpânica bilateral com triângulo luminoso presente à esquerda, opacidade à direita. Secreção nasal mucoide esbranquiçada. Ausculta cardiopulmonar normal. Abdome globoso, levemente distendido, sem visceromegalias. Perfusão periférica de 2 seg. Rigidez de nuca ausente. Entre as condutas abaixo, a melhor para este paciente é: 

Alternativas

  1. A) Tomografia de crânio.
  2. B) Alta com sintomáticos e orientação.
  3. C) Amoxicilina oral. 
  4. D) Coleta de líquor.
  5. E) Avaliação do neuropediatra. 

Pérola Clínica

Lactente com crise convulsiva prolongada + febre + irritabilidade, mesmo sem rigidez de nuca → Alta suspeita de meningite bacteriana, indicar punção lombar.

Resumo-Chave

A crise convulsiva prolongada (20 min) em um lactente febril e irritado, mesmo sem rigidez de nuca (sinal frequentemente ausente em <18 meses), levanta forte suspeita de meningite bacteriana. A otite média concomitante pode ser uma fonte de infecção. A punção lombar é essencial para o diagnóstico definitivo e direcionamento do tratamento.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma infecção grave das meninges que, em lactentes, pode ter um curso fulminante e deixar sequelas neurológicas permanentes ou levar ao óbito se não for diagnosticada e tratada precocemente. O quadro clínico em lactentes é frequentemente inespecífico, o que torna o diagnóstico um desafio. Sinais clássicos como rigidez de nuca e sinal de Kernig ou Brudzinski são frequentemente ausentes em crianças menores de 18 meses. Neste caso, a crise convulsiva prolongada (20 minutos) em um lactente febril e irritado, mesmo com fontanela plana e ausência de rigidez de nuca, é um forte indicativo de infecção do sistema nervoso central. A otite média bilateral é um fator de risco e uma possível porta de entrada para patógenos bacterianos. A irritabilidade e a alteração do nível de consciência são sinais de alerta importantes em lactentes. Diante da suspeita de meningite bacteriana, a conduta mais urgente e essencial é a realização da punção lombar para coleta e análise do líquor cefalorraquidiano (LCR). A análise do LCR (celularidade, bioquímica, cultura e Gram) é fundamental para confirmar o diagnóstico, identificar o agente etiológico e guiar a terapia antimicrobiana empírica, que deve ser iniciada imediatamente após a coleta do líquor (ou antes, se houver atraso significativo na punção). A tomografia de crânio não é a primeira conduta e pode atrasar o diagnóstico e tratamento, sendo reservada para casos específicos antes da PL.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de meningite em lactentes, além da rigidez de nuca?

Em lactentes, os sinais podem ser inespecíficos, incluindo febre, irritabilidade, letargia, recusa alimentar, vômitos, fontanela abaulada, convulsões e choro inconsolável. A rigidez de nuca é frequentemente ausente.

Por que a punção lombar é a melhor conduta para este paciente?

A punção lombar é crucial para o diagnóstico definitivo de meningite, permitindo a análise do líquor (celularidade, bioquímica, cultura) para identificar o agente etiológico e guiar o tratamento antimicrobiano adequado.

A otite média pode estar relacionada à meningite neste caso?

Sim, a otite média aguda é um fator de risco para meningite bacteriana, pois patógenos como Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae podem se disseminar do ouvido médio para o sistema nervoso central.

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