Meningite Bacteriana em Lactentes: Tratamento Empírico Essencial

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um lactente com sete meses de vida apresenta quadro de febre, irritabilidade e vômitos há 24 horas. No exame físico, REG e com fácies de dor e abaulamento de fontanelas. LCR com 1.200 células/mm3, com 90% de neutrófilos, proteína 300 mg/dL e glicose 17 mg/dl. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o tratamento empírico a ser iniciado.

Alternativas

  1. A) ampicilina e cefotaxima
  2. B) oxacilina e gentamicina
  3. C) cefotaxima e amicacina
  4. D) vancomicina e ceftriaxone
  5. E) ceftriaxone e amicacina

Pérola Clínica

Lactente com LCR sugestivo de meningite bacteriana → Ceftriaxone + Vancomicina (cobertura empírica para resistência).

Resumo-Chave

Em lactentes com suspeita de meningite bacteriana, o tratamento empírico deve cobrir os patógenos mais comuns (S. pneumoniae, N. meningitidis, H. influenzae). A combinação de Ceftriaxone (cefalosporina de 3ª geração) e Vancomicina é recomendada devido à crescente preocupação com cepas de S. pneumoniae resistentes a cefalosporinas.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência pediátrica grave, com alta morbimortalidade, especialmente em lactentes. O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento antibiótico empírico são cruciais para melhorar o prognóstico e reduzir sequelas neurológicas. O quadro clínico em lactentes pode ser inespecífico, manifestando-se com febre, irritabilidade, vômitos e abaulamento de fontanelas, como no caso apresentado. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é fundamental para o diagnóstico, com achados clássicos de pleocitose neutrofílica, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia indicando etiologia bacteriana. Os principais patógenos em lactentes após o período neonatal são Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b. O tratamento empírico para meningite bacteriana em crianças maiores de 1 mês deve incluir uma cefalosporina de terceira geração (como ceftriaxone ou cefotaxima) para cobrir os patógenos comuns. Devido à crescente prevalência de S. pneumoniae resistente a cefalosporinas, a adição de vancomicina é fortemente recomendada até que a sensibilidade do patógeno seja confirmada. A dexametasona também pode ser considerada em casos selecionados para reduzir complicações neurológicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados no LCR que sugerem meningite bacteriana em lactentes?

Os achados típicos incluem pleocitose (>100 células/mm³) com predomínio de neutrófilos, hiperproteinorraquia (>100 mg/dL) e hipoglicorraquia (glicose <40 mg/dL ou relação glicose LCR/sérica <0,4).

Por que a vancomicina é incluída no tratamento empírico da meningite bacteriana em crianças?

A vancomicina é incluída para cobrir cepas de Streptococcus pneumoniae que podem ser resistentes às cefalosporinas de terceira geração, como o ceftriaxone, garantindo uma cobertura mais ampla e eficaz.

Quais são os sinais de alerta de meningite em lactentes?

Sinais de alerta incluem febre, irritabilidade, letargia, recusa alimentar, vômitos, convulsões, abaulamento de fontanelas, rigidez de nuca (menos comum em lactentes jovens) e choro inconsolável.

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