HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023
Menina, 10 meses, é trazida à emergência com febre alta há 24 horas, irritabilidade, choro constante, vômitos e recusa alimentar. Pais referem que a paciente está com as vacinas em dia de acordo com o calendário básico de imunizações. Punção lombar evidenciou 355 leucócitos/mm³, com 60% de polimorfonucleares e 40% de linfomonócitos, proteinorraquia de 105 mg/dL e glicorraquia 25 mg/dL (glicemia simultânea de 60 mg/dL). Ao exame do Gram, foram visualizados diplococos gram-negativos. Os culturais estão com resultados ainda pendentes. Após os resultados já avaliados, foi iniciada antibioticoterapia endovenosa com Ceftriaxone e Vancomicina. Em relação ao tratamento dessa paciente, com base no agente etiológico mais provável a partir das informações disponíveis, assinale a alternativa correta.
Meningite <1 ano + diplococos Gram-negativos → *Neisseria meningitidis* provável → Ceftriaxone é o tratamento de escolha.
A presença de diplococos Gram-negativos no líquido cefalorraquidiano (LCR) de um lactente com meningite é altamente sugestiva de infecção por *Neisseria meningitidis*. Nesses casos, o Ceftriaxone é o antibiótico de primeira linha e, na ausência de outros fatores de risco ou evidências de resistência, a Vancomicina pode ser suspensa, pois não é necessária para cobertura de *N. meningitidis* sensível.
A meningite bacteriana em lactentes é uma emergência pediátrica grave, com alta morbimortalidade se não tratada prontamente. Os sintomas podem ser inespecíficos, como febre, irritabilidade, vômitos e recusa alimentar, tornando o diagnóstico um desafio. A punção lombar e a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) são cruciais para o diagnóstico etiológico e para guiar a antibioticoterapia. A compreensão dos padrões do LCR e da microbiologia é vital para a prática clínica. No caso de meningite bacteriana, o LCR tipicamente mostra pleocitose com predomínio de neutrófilos, proteinorraquia elevada e glicorraquia reduzida. A coloração de Gram do LCR é um exame rápido e de grande valor, pois pode identificar o tipo morfológico e a coloração da bactéria, orientando a terapia empírica. Diplococos Gram-negativos são classicamente associados à *Neisseria meningitidis*, um dos principais agentes etiológicos da meningite bacteriana em crianças. O tratamento da meningite bacteriana deve ser iniciado o mais rápido possível. A terapia empírica inicial geralmente inclui uma cefalosporina de terceira geração (como Ceftriaxone) e Vancomicina, para cobrir os principais patógenos e suas possíveis resistências. No entanto, uma vez que o agente etiológico é identificado (por exemplo, *Neisseria meningitidis* sensível a partir do Gram), a antibioticoterapia pode ser otimizada. Para *N. meningitidis*, o Ceftriaxone é altamente eficaz e a Vancomicina pode ser descontinuada, evitando o uso desnecessário de múltiplos antibióticos e a seleção de resistência. Residentes devem estar aptos a interpretar os resultados do LCR e ajustar a terapia antibiótica de acordo.
Achados sugestivos de meningite bacteriana no LCR incluem pleocitose com predomínio de polimorfonucleares, proteinorraquia elevada e glicorraquia baixa (relação glicose LCR/glicose sérica < 0,4). A visualização de bactérias no Gram é diagnóstica.
Em um lactente com meningite e diplococos Gram-negativos no LCR, o agente etiológico mais provável é a *Neisseria meningitidis*. Embora a vacinação seja importante, ela não cobre todos os sorogrupos e falhas vacinais podem ocorrer.
O Ceftriaxone é uma cefalosporina de terceira geração com excelente penetração no sistema nervoso central e alta atividade bactericida contra *Neisseria meningitidis*. É eficaz contra cepas sensíveis e é a droga de escolha para o tratamento da meningite meningocócica.
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