Meningite Bacteriana Pediátrica: Diagnóstico no LCR

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 6 anos de idade, previamente hígido, atendido no Pronto Socorro com história de febre (máxima 39,5°) há 2 dias, acompanhada por inapetência, vômitos em jato e cefaleia holocraniana (contínua, moderada intensidade) há 1 dia. Estado vacinal: em dia. Recebeu a vacina contra febre amarela há 2 meses. Exame físico: REG, com rigidez terminal de nuca. Otoscopia – discreta hiperemia com diminuição de brilho em membrana timpânica direita. Sem outras alterações significativas ao exame físico. Exames laboratoriais disponíveis: Glicemia 86mg/dl Hemograma coagulado LCR – aspecto turvo citológico: hemácias – 10.000/mm3; leucócitos –1.000/mm3 (neutrófilos 80%/ linfócitos 15%/ monócitos 5%) glicose 10mg/dL; proteína 150mg/dL bacterioscópico: flora bacteriana ausente/ látex negativo cultura em andamento A hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) Otite e líquor com acidente de punção, sem meningite.
  2. B) Meningite bacteriana.
  3. C) Meningite viral.
  4. D) Reação vacinal da febre amarela.

Pérola Clínica

LCR turvo + pleocitose neutrofílica + hipoglicorraquia + hiperproteinorraquia → Meningite bacteriana.

Resumo-Chave

O LCR com aspecto turvo, pleocitose predominantemente neutrofílica, glicose muito baixa (hipoglicorraquia) e proteína elevada (hiperproteinorraquia) são marcadores clássicos de meningite bacteriana, mesmo com bacterioscopia e látex negativos inicialmente. A presença de hemácias pode ser por acidente de punção, mas não invalida o quadro.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência pediátrica grave, com alta morbimortalidade se não tratada precocemente. É uma inflamação das meninges causada por bactérias, sendo os agentes mais comuns em crianças Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b (este último menos frequente devido à vacinação). O diagnóstico rápido e preciso é crucial para iniciar a antibioticoterapia adequada e evitar sequelas neurológicas. O diagnóstico é primariamente feito pela análise do líquor cefalorraquidiano (LCR). Achados clássicos de meningite bacteriana incluem LCR turvo, pleocitose com predomínio de neutrófilos (>80%), hipoglicorraquia (glicose <40 mg/dL ou <40% da glicemia sérica) e hiperproteinorraquia (>100 mg/dL). O quadro clínico com febre, cefaleia, vômitos em jato e sinais meníngeos (rigidez de nuca) reforça a suspeita. O tratamento da meningite bacteriana é uma emergência médica e consiste em antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, ajustada após a identificação do agente etiológico e seu perfil de sensibilidade. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo fundamental a vigilância para complicações como hidrocefalia, convulsões e déficits neurológicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados no LCR que indicam meningite bacteriana?

Os principais achados incluem aspecto turvo, pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia (glicose <40 mg/dL ou <40% da glicemia sérica) e hiperproteinorraquia (>100 mg/dL).

Como diferenciar meningite bacteriana de viral pela análise do LCR?

A meningite viral geralmente apresenta LCR límpido, pleocitose linfocítica, glicose normal e proteína discretamente elevada. A bacteriana tem LCR turvo, pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia.

A presença de hemácias no LCR invalida o diagnóstico de meningite?

Não necessariamente. Hemácias podem indicar acidente de punção. A interpretação deve considerar os demais parâmetros do LCR (leucócitos, glicose, proteína) em conjunto com o quadro clínico para o diagnóstico.

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