Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Lactente com 8 meses de vida é admitido no hospital com história de 2 dias de febre alta, diminuição da aceitação alimentar, vômitos sem diarreia e letargia. Realiza-se uma punção lombar e a análise do líquor (LCR) demonstra 1000 leucócitos/mL, com absoluta predominância de segmentados e bastões, baixos níveis de glicose e elevados níveis de proteínas. Não se têm ainda resultados de baciloscopia ou PCR do LCR. O tratamento empírico inicial mais indicado é:
Lactente com LCR sugestivo de meningite bacteriana grave → tratamento empírico com Vancomicina + Ceftriaxone + Dexametasona.
Em lactentes com quadro clínico grave e LCR altamente sugestivo de meningite bacteriana (pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia, hiperproteinorraquia), o tratamento empírico inicial deve ser amplo e incluir cobertura para patógenos resistentes. A combinação de Vancomicina (para S. pneumoniae resistente) e Ceftriaxone (para H. influenzae e N. meningitidis) é padrão, e a Dexametasona é indicada para reduzir sequelas neurológicas.
A meningite bacteriana em lactentes é uma emergência pediátrica grave, com alta morbimortalidade se não tratada prontamente e adequadamente. A apresentação clínica pode ser inespecífica em crianças pequenas, com febre alta, letargia, vômitos e irritabilidade, progredindo rapidamente para sinais de hipertensão intracraniana e comprometimento neurológico. A suspeita clínica deve ser alta, e a punção lombar para análise do líquor (LCR) é essencial para o diagnóstico. A análise do LCR em casos de meningite bacteriana tipicamente revela pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia (glicose < 40 mg/dL ou < 40% da glicemia sérica) e hiperproteinorraquia (> 100 mg/dL). A bacterioscopia direta do LCR pode identificar o agente etiológico em até 80% dos casos, mas o tratamento empírico não deve aguardar esses resultados, que podem demorar. Os principais patógenos em lactentes incluem Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e, em menor grau devido à vacinação, Haemophilus influenzae tipo b. O tratamento empírico inicial deve ser de amplo espectro e incluir a combinação de Vancomicina (para cobrir S. pneumoniae resistente) e uma cefalosporina de terceira geração (Ceftriaxone ou Cefotaxima) para cobrir os demais patógenos comuns. A Dexametasona é recomendada para reduzir a inflamação e o risco de sequelas neurológicas, devendo ser administrada antes ou concomitantemente à primeira dose do antibiótico. O tratamento sintomático para febre e vômitos é complementar e importante para o conforto do paciente.
O LCR típico de meningite bacteriana apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos e bastões, glicose baixa (hipoglicorraquia), e proteínas elevadas (hiperproteinorraquia).
A dexametasona é administrada para reduzir a inflamação no sistema nervoso central, diminuindo o risco de sequelas neurológicas como perda auditiva, especialmente em casos causados por Haemophilus influenzae tipo b e Streptococcus pneumoniae.
A cobertura empírica inicial deve ser ampla, incluindo Vancomicina para cobrir Streptococcus pneumoniae resistente à penicilina/cefalosporinas, e uma cefalosporina de terceira geração como Ceftriaxone ou Cefotaxima para cobrir Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae.
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