Meningite Bacteriana Neonatal: Tratamento Empírico Essencial

HCB - Hospital de Amor de Barretos (antigo Hospital de Câncer) (SP) — Prova 2020

Enunciado

Qual alternativa apresenta a abordagem terapêutica mais adequada para o tratamento de uma criança com idade menor de 02 meses com meningite bacteriana?

Alternativas

  1. A) Apenas instituição de mediadas de suporte.
  2. B) Administração isolada de ceftriaxone.
  3. C) Administração de aciclovir + ampicilina.
  4. D) Administração de cefotaxima + ampicilina.

Pérola Clínica

Meningite bacteriana < 2 meses → Cefotaxima + Ampicilina (cobertura Listeria, GBS, Gram-negativos).

Resumo-Chave

Em neonatos e lactentes jovens (< 2 meses), a etiologia da meningite bacteriana inclui Listeria monocytogenes, Streptococcus agalactiae (GBS) e bacilos Gram-negativos entéricos. A combinação de cefotaxima (para Gram-negativos e GBS) e ampicilina (para Listeria) é essencial para uma cobertura empírica adequada.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana neonatal é uma infecção grave do sistema nervoso central, com alta morbidade e mortalidade, exigindo diagnóstico e tratamento rápidos. A incidência é maior em neonatos e lactentes jovens (< 2 meses), sendo uma emergência pediátrica. A identificação precoce de sinais inespecíficos como irritabilidade, letargia, recusa alimentar e fontanela abaulada é crucial para o prognóstico. A fisiopatologia envolve a invasão bacteriana das meninges, frequentemente por via hematogênica, a partir de um foco infeccioso primário. O diagnóstico é confirmado por análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar, que tipicamente mostra pleocitose, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia. A suspeita clínica deve ser alta em qualquer lactente febril com menos de 2 meses, mesmo com sintomas atípicos. O tratamento empírico para meningite bacteriana em crianças menores de 2 meses deve cobrir os patógenos mais comuns: Streptococcus agalactiae (GBS), Escherichia coli e Listeria monocytogenes. A combinação de cefotaxima (ou ceftriaxone, embora cefotaxima seja preferida em neonatos devido ao risco de kernicterus com ceftriaxone) e ampicilina é a escolha padrão. A cefotaxima cobre GBS e bacilos Gram-negativos, enquanto a ampicilina é essencial para Listeria. O prognóstico depende da rapidez do início do tratamento e da virulência do patógeno.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes etiológicos da meningite bacteriana em neonatos?

Os principais agentes são Streptococcus agalactiae (GBS), Escherichia coli e Listeria monocytogenes, com outros Gram-negativos e Staphylococcus aureus também sendo relevantes.

Por que a ampicilina é incluída no tratamento empírico da meningite em lactentes jovens?

A ampicilina é crucial para cobrir a Listeria monocytogenes, um patógeno importante em neonatos e lactentes com menos de 2 meses, que é resistente às cefalosporinas de terceira geração.

Qual a diferença na abordagem antibiótica para meningite em crianças maiores de 2 meses?

Em crianças maiores de 2 meses, a cobertura para Listeria geralmente não é necessária, e a terapia empírica foca em S. pneumoniae e N. meningitidis, frequentemente com ceftriaxone ou cefotaxima, e vancomicina em áreas de alta resistência.

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