Meningite Bacteriana em Lactentes: Achados no LCR

FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Lactente, 5 meses, é trazido pela mãe ao serviço de emergência. Segundo a mãe o mesmo está prostrado e alterna irritabilidade com sonolência. Relata febre e vômitos hoje. Ao exame fontanela anterior abaulada, pulmões limpos e ausculta cardíaca regular sem sopros. Com base no diagnóstico provável, você realiza punção lombar e espera encontrar as seguintes alterações, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Pleiocitose.
  2. B) Hipoglicorraquia.
  3. C) Proteína diminuída.
  4. D) Predomínio de polimorfonucleares.

Pérola Clínica

Meningite bacteriana: LCR com pleiocitose, predomínio PMN, hipoglicorraquia e PROTEÍNA AUMENTADA. Fontanela abaulada é sinal chave em lactentes.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre, irritabilidade, sonolência e fontanela abaulada em lactente é altamente sugestivo de meningite. Na meningite bacteriana, o LCR tipicamente apresenta pleiocitose com predomínio de polimorfonucleares, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia (proteína aumentada), sendo a diminuição da proteína uma alteração não esperada.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana em lactentes é uma emergência pediátrica grave, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A apresentação clínica pode ser sutil e inespecífica, o que exige alto índice de suspeita. A fontanela abaulada é um sinal crucial em bebês, indicando aumento da pressão intracraniana. A punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) é o padrão-ouro para o diagnóstico. A análise do LCR na meningite bacteriana revela um perfil característico: pleiocitose (aumento significativo de leucócitos, geralmente >1000 células/mm³) com predomínio de neutrófilos (polimorfonucleares), hipoglicorraquia (glicose no LCR <40 mg/dL ou relação glicose LCR/sérica <0,4) e hiperproteinorraquia (proteína no LCR >100 mg/dL). A presença de bactérias na coloração de Gram e cultura do LCR confirma o agente etiológico. O tratamento da meningite bacteriana é uma emergência e envolve antibioticoterapia empírica de amplo espectro, iniciada imediatamente após a coleta do LCR (ou mesmo antes, se houver atraso na punção e alta suspeita), e suporte clínico. A compreensão das alterações do LCR é fundamental para o diagnóstico diferencial e para guiar a conduta terapêutica, sendo um conhecimento indispensável para residentes de pediatria e emergência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de meningite em lactentes?

Em lactentes, os sinais de meningite podem ser inespecíficos, incluindo febre, irritabilidade, sonolência, prostração, vômitos e recusa alimentar. Sinais mais específicos incluem fontanela abaulada e convulsões.

Quais alterações no LCR são esperadas na meningite bacteriana?

Na meningite bacteriana, o LCR tipicamente apresenta pleiocitose (aumento do número de células, geralmente >1000/mm³) com predomínio de polimorfonucleares, hipoglicorraquia (glicose baixa) e hiperproteinorraquia (proteína elevada).

Como diferenciar meningite bacteriana de viral pela análise do LCR?

A meningite viral geralmente apresenta pleiocitose com predomínio de linfomononucleares, glicose normal ou levemente diminuída e proteína normal ou levemente aumentada, diferentemente da bacteriana que tem predomínio de PMN, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia acentuadas.

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