UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020
Homem, 90 anos, previamente assintomático, morador de asilo, cartão vacinal regular, chega com cefaléia e febre há 72 horas, sonolento, com temperatura axilar de 38,5 ºC e rigidez de nuca. Não há história de sinusite de repetição ou qualquer outro foco infeccioso a distância. Teve três convulsões no local de origem. O médico realizou raquiocentese, que revelou líquor turvo, celularidade: 600/cm3, com predomínio de polimorfonucleares; proteína: 700 mg%; glicose: 16 mg/dl, presença de germes gram- positivos. Considerando os dados epidemiológicos, clínicos e laboratoriais do caso descrito, indique a afecção, o agente etiológico mais provável e o esquema antimicrobiano a iniciar, respectivamente:
Idoso > 50a com meningite bacteriana → cobrir Listeria com Ampicilina.
Em idosos (>50 anos), imunocomprometidos ou gestantes com meningite bacteriana, a cobertura para Listeria monocytogenes é essencial, sendo a Ampicilina o antibiótico de escolha. Os achados liquóricos de predomínio de polimorfonucleares, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia são clássicos de meningite bacteriana.
A meningite bacteriana é uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos. Em pacientes idosos, a apresentação clínica pode ser atípica, com sintomas menos exuberantes, o que atrasa o diagnóstico. No entanto, a presença de cefaleia, febre, sonolência, rigidez de nuca e convulsões em um paciente de 90 anos, morador de asilo, é altamente sugestiva. A análise do líquor é fundamental para o diagnóstico. Achados como líquor turvo, pleocitose com predomínio de polimorfonucleares, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia são característicos de meningite bacteriana. A presença de germes gram-positivos no Gram do líquor, associada à idade avançada do paciente, levanta forte suspeita de Listeria monocytogenes, um patógeno comum em idosos, gestantes e imunocomprometidos. O tratamento empírico da meningite bacteriana em idosos deve cobrir os patógenos mais prováveis: Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e, crucialmente, Listeria monocytogenes. Para Listeria, a Ampicilina é o antibiótico de escolha, frequentemente associada a uma cefalosporina de terceira geração (como Ceftriaxona) para cobrir os outros patógenos. A Dexametasona também é indicada para reduzir a inflamação e melhorar o prognóstico.
Na meningite bacteriana, o líquor tipicamente apresenta-se turvo, com celularidade elevada (predomínio de polimorfonucleares), hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia.
A Listeria monocytogenes é um patógeno oportunista que afeta principalmente extremos de idade (neonatos, idosos), gestantes e imunocomprometidos, sendo uma causa relevante de meningite nesses grupos devido à sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica.
O tratamento empírico para meningite bacteriana em idosos deve incluir uma cefalosporina de terceira geração (ex: Ceftriaxona) e Ampicilina para cobrir Listeria monocytogenes, além de Dexametasona.
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