Meningite Bacteriana em Idosos: Terapia Empírica

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 70 anos, procura o pronto-socorro por cefaleia e fotofobia há 3 dias. Nega outras comorbidades. Descreve 1 episódio de febre há 24 horas. Ao exame clínico, os sinais vitais são normais e há rigidez de nuca; não existem outras alterações. A punção do líquor mostra pleocitose neutrofílica, baixa glicose e proteína elevada. Outros exames estão em andamento. Entre as opções abaixo, antibióticoterapia empírica inicial mais indicada para este paciente é:

Alternativas

  1. A) Ceftazidima.
  2. B) Meropenem e vancomicina.
  3. C) Ceftriaxona e ampicilina.
  4. D) Meropenem.
  5. E) Vancomicina.

Pérola Clínica

Meningite bacteriana em idoso (70a) com líquor típico → Ceftriaxona + Ampicilina (cobre S. pneumoniae, N. meningitidis, Listeria).

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com suspeita de meningite bacteriana, a cobertura empírica deve incluir agentes que atuem contra *Streptococcus pneumoniae*, *Neisseria meningitidis* e, crucialmente, *Listeria monocytogenes*, que é mais comum em extremos de idade e imunocomprometidos. A combinação de ceftriaxona e ampicilina oferece essa cobertura.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência médica com alta morbimortalidade, especialmente em idosos. A suspeita clínica baseada em cefaleia, febre, rigidez de nuca e alteração do estado mental é crucial, e a análise do líquor é fundamental para o diagnóstico. A epidemiologia mostra que *Streptococcus pneumoniae* e *Neisseria meningitidis* são os agentes mais comuns em adultos, mas em extremos de idade (neonatos e idosos) e em imunocomprometidos, *Listeria monocytogenes* ganha relevância. A fisiopatologia envolve a invasão das meninges por bactérias, levando a uma resposta inflamatória intensa no espaço subaracnoide. O diagnóstico é confirmado pela análise do líquor, que tipicamente mostra pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia. A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente após a coleta do líquor (ou mesmo antes, se houver atraso na punção e o paciente estiver instável), sem aguardar resultados de cultura. O tratamento empírico para meningite bacteriana em idosos deve cobrir *S. pneumoniae*, *N. meningitidis* e *L. monocytogenes*. A combinação de ceftriaxona (ou cefotaxima) para os primeiros dois e ampicilina para *Listeria* é a escolha padrão. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento. Pontos de atenção incluem a administração de dexametasona antes ou junto com a primeira dose do antibiótico em casos selecionados para reduzir complicações neurológicas, e a necessidade de ajuste da terapia após o resultado da cultura e antibiograma.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos do líquor na meningite bacteriana?

Na meningite bacteriana, o líquor tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia (baixa glicose) e hiperproteinorraquia (proteína elevada).

Por que a ampicilina é essencial na meningite empírica para idosos?

A ampicilina é crucial para cobrir *Listeria monocytogenes*, um patógeno que causa meningite e é mais prevalente em idosos, neonatos e imunocomprometidos, e que não é coberto por cefalosporinas de terceira geração como a ceftriaxona.

Quais os principais patógenos da meningite bacteriana em adultos e idosos?

Em adultos, os principais patógenos são *Streptococcus pneumoniae* e *Neisseria meningitidis*. Em idosos, além desses, *Listeria monocytogenes* torna-se um patógeno significativo.

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