Meningite Bacteriana: Diagnóstico e Critérios de Nigrovic

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2022

Enunciado

Em relação às meningites bacterianas, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) A meningite pneumocócica pode ter associação com quadro respiratório prévio e apresenta maiores complicações neurológicas.
  2. B) A meningite meningocócica geralmente tem um início súbito e o tempo de tratamento é menor quando comparado com as outras meningites.
  3. C) No tratamento empírico de uma meningite bacteriana, quando a cultura do líquor é positiva para Neisseriae meningitidis, é possível descalonar de uma cefalosporina para uma penicilina.
  4. D) Atualmente, os critérios de Nigrovic e a dosagem liquórica de lactato não são mais utilizados por apresentar baixas especificidade e sensibilidade na diferenciação entre etiologia viral e bacteriana.

Pérola Clínica

Critérios de Nigrovic e lactato liquórico são úteis na distinção meningite viral vs. bacteriana.

Resumo-Chave

Os critérios de Nigrovic e a dosagem de lactato no líquido cefalorraquidiano (LCR) são ferramentas valiosas para auxiliar na diferenciação entre meningites virais e bacterianas, especialmente em casos de difícil diagnóstico, apresentando boa sensibilidade e especificidade.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos para evitar sequelas neurológicas graves e morte. A diferenciação precoce entre etiologia viral e bacteriana é crucial, pois o tratamento difere significativamente. A epidemiologia varia com a idade e o status vacinal, mas Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis são os principais agentes em adultos. O diagnóstico baseia-se na apresentação clínica (febre, cefaleia, rigidez de nuca, alteração do nível de consciência) e na análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). Parâmetros como celularidade, glicose, proteínas e a presença de neutrófilos são fundamentais. Os critérios de Nigrovic e a dosagem de lactato no LCR são ferramentas complementares valiosas, com boa sensibilidade e especificidade, que auxiliam na tomada de decisão, especialmente em casos atípicos ou quando a cultura ainda não está disponível. O tratamento empírico inicial deve cobrir os patógenos mais prováveis, geralmente com cefalosporinas de terceira geração e vancomicina. Uma vez identificado o agente etiológico e seu perfil de sensibilidade, o tratamento pode ser descalonado. Por exemplo, para Neisseria meningitidis sensível, a penicilina G é uma opção eficaz e mais específica. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo as complicações neurológicas mais frequentes na meningite pneumocócica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios utilizados para diferenciar meningite viral de bacteriana?

Além da clínica, os critérios de Nigrovic (que incluem glicose, proteína, celularidade e neutrófilos no LCR) e a dosagem de lactato liquórico são ferramentas importantes. O lactato elevado (>3.5 mmol/L) sugere etiologia bacteriana.

Por que o lactato no líquor é útil no diagnóstico de meningite bacteriana?

O lactato é um produto do metabolismo anaeróbico. Na presença de infecção bacteriana no LCR, há um aumento do metabolismo anaeróbico pelas bactérias e pelas células inflamatórias, elevando os níveis de lactato, o que o torna um bom marcador.

É possível descalonar o tratamento antibiótico na meningite meningocócica?

Sim, após a identificação de Neisseria meningitidis sensível, é possível descalonar de uma cefalosporina de terceira geração (como ceftriaxona) para penicilina G, que é altamente eficaz contra este patógeno.

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