FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020
Pré-escolar de 3 anos foi levado à emergência com quadro de febre e cefaleia há 12 horas, apresentando rigidez de nuca ao exame físico e nível de consciência preservado. Realizou-se a punção lombar, com os seguintes resultados: 300 células com 70% de polimorfonucleares e 30% de mononucleares; glicorraquia de 20mg/dl e com glicemia de 80mg/dl; proteína: 150. As provas de látex para agentes bacterianos foram negativas e a pesquisa de Gram não foi realizada. Qual é o provável diagnóstico?
LCR: ↑ células (polimorfonucleares), ↓ glicose, ↑ proteína → Sugere meningite bacteriana.
O perfil do líquido cefalorraquidiano (LCR) é crucial para diferenciar os tipos de meningite. A presença de pleocitose com predomínio de polimorfonucleares, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia é altamente sugestiva de etiologia bacteriana.
A meningite é uma inflamação das meninges, as membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Em crianças, a meningite bacteriana é uma emergência médica devido ao alto risco de sequelas neurológicas e mortalidade, exigindo diagnóstico e tratamento rápidos. A febre, cefaleia e rigidez de nuca são sintomas clássicos. O diagnóstico definitivo da meningite é feito pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar. O perfil do LCR na meningite bacteriana é caracterizado por uma pleocitose significativa (geralmente > 100 células/mm³) com predomínio de neutrófilos (polimorfonucleares), hipoglicorraquia (glicose no LCR baixa, com relação LCR/glicemia < 0,4) e hiperproteinorraquia (proteínas elevadas). Apesar de provas de látex e Gram negativas, o perfil do LCR descrito (300 células com 70% polimorfonucleares, glicorraquia 20mg/dl com glicemia 80mg/dl, proteína 150) é altamente sugestivo de meningite bacteriana. O tratamento empírico com antibióticos deve ser iniciado imediatamente após a coleta do LCR, sem aguardar resultados de cultura, para evitar desfechos desfavoráveis.
Na meningite bacteriana, o LCR tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de polimorfonucleares, hipoglicorraquia (glicose < 40 mg/dL ou relação LCR/glicemia < 0,4) e hiperproteinorraquia (> 100 mg/dL).
A relação glicorraquia/glicemia sérica é mais fidedigna que a glicorraquia isolada. Uma relação < 0,4 é um forte indicativo de consumo de glicose por bactérias, sugerindo meningite bacteriana.
Os principais diferenciais incluem meningite viral (pleocitose mononuclear, glicose normal), meningite tuberculosa (pleocitose linfocitária, hipoglicorraquia, proteína muito elevada) e encefalite (LCR mais brando, foco neurológico).
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