INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2021
Mulher, 45 anos, é internada no setor de emergência com história de febre e diminuição do nível de consciência nas últimas 24 horas. Exame físico: presença de sinais meníngeos. Tomografia computadorizada (TC) de crânio: normal. Após a realização da punção lombar, os resultados da análise do líquor foram: celularidade = 1200/µL com 80% de polimorfonucleares; glicose = 10mg/dL e proteínas = 320mg/dL. O achado é sugestivo de meningite:
Líquor: Celularidade ↑ (>1000/µL, predomínio PMN), Glicose ↓ (<40mg/dL), Proteínas ↑ (>100mg/dL) → Meningite bacteriana.
A análise do líquor é fundamental no diagnóstico diferencial das meningites. Um perfil de líquor com celularidade muito elevada (predomínio de polimorfonucleares), glicose muito baixa e proteínas muito elevadas é altamente sugestivo de meningite bacteriana, que requer tratamento antibiótico empírico imediato.
A meningite é uma inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, as meninges. A meningite bacteriana é uma emergência médica grave que requer diagnóstico rápido e tratamento imediato para prevenir sequelas neurológicas permanentes e reduzir a mortalidade. É mais comum em extremos de idade e em indivíduos imunocomprometidos, mas pode afetar qualquer pessoa. A apresentação clínica clássica inclui febre, cefaleia intensa, rigidez de nuca (sinais meníngeos) e alteração do nível de consciência. O diagnóstico definitivo da meningite bacteriana é feito pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar. Antes da punção, uma tomografia computadorizada de crânio é frequentemente realizada para descartar lesões com efeito de massa ou hidrocefalia, que contraindicariam o procedimento devido ao risco de herniação cerebral. No caso de meningite bacteriana, o LCR tipicamente apresenta um perfil inflamatório agudo: celularidade muito elevada (geralmente acima de 1000 células/µL) com predomínio de polimorfonucleares, glicose muito baixa (consumida pelas bactérias, <40 mg/dL ou <40% da glicemia sérica) e proteínas muito elevadas (devido à inflamação e aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica). O tratamento da meningite bacteriana é uma emergência e deve ser iniciado empiricamente com antibióticos de amplo espectro, após a coleta do LCR e hemoculturas, sem aguardar os resultados da cultura. A escolha do antibiótico depende da idade do paciente, fatores de risco e epidemiologia local. Corticosteroides (dexametasona) também podem ser administrados em conjunto com os antibióticos para reduzir a inflamação e melhorar o prognóstico, especialmente em casos de infecção por Streptococcus pneumoniae ou Haemophilus influenzae.
Na meningite bacteriana, o líquor tipicamente apresenta celularidade muito elevada (geralmente >1000 células/µL) com predomínio de polimorfonucleares, glicose muito baixa (<40 mg/dL ou <40% da glicemia sérica) e proteínas muito elevadas (>100 mg/dL).
A meningite viral geralmente tem celularidade menor (<1000 células/µL) com predomínio de linfomononucleares, glicose normal e proteínas discretamente elevadas. A bacteriana tem PMN, glicose muito baixa e proteínas muito altas.
A TC de crânio é realizada para excluir lesões com efeito de massa ou hidrocefalia, que poderiam aumentar o risco de herniação cerebral durante a punção lombar. Uma TC normal permite a realização segura do procedimento.
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