FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Lactente de sete meses está internada com meningite bacteriana. Exame do líquor na admissão: celularidade: 1200 células/mm3 (60% polimorfonucleares e 40% mononucleares); glicose: 15mg/dl; proteínas: 280mg/dl; teste de aglutinação em látex e cultura: N. meningitidis C. Iniciou-se penicilina cristalina, com desaparecimento da febre em 24 horas. Apresentou boa evolução clínica até reinício de febre no sétimo dia de tratamento (entre 38,2ºC e 39,1ºC), em dois picos diários, sem outras manifestações clínicas. Foram realizados: tomografia de crânio: normal; exame do líquor: 9 células/mm3; glicose: 70mg/dl; proteínas: 20mg/dl; látex e cultura: negativos. Qual é a conduta adequada neste caso?
Meningite bacteriana: febre tardia + líquor normalizado + boa evolução = considerar curado, febre pode ser medicamentosa.
O reaparecimento de febre no final do tratamento de meningite bacteriana, com normalização do líquor e boa evolução clínica, sugere que a meningite está curada. A febre pode ser de origem medicamentosa ou viral intercorrente, não indicando falha terapêutica.
O manejo da meningite bacteriana em lactentes exige atenção rigorosa, e a resposta ao tratamento é um indicador crítico. A Neisseria meningitidis é um patógeno comum, e a penicilina cristalina é um tratamento eficaz para cepas sensíveis. A evolução clínica inicial com desaparecimento da febre é um bom sinal, mas o reaparecimento de febre pode gerar preocupação. Neste caso, a reavaliação do líquor é fundamental. Os resultados do segundo exame do líquor (9 células/mm3, glicose 70mg/dl, proteínas 20mg/dl, látex e cultura negativos) demonstram uma completa normalização dos parâmetros, indicando a resolução da infecção meníngea. A tomografia de crânio normal também afasta complicações intracranianas. Diante da normalização do líquor e da boa evolução clínica geral, o reinício da febre no sétimo dia de tratamento, sem outras manifestações, não deve ser interpretado como falha terapêutica da meningite. É mais provável que seja uma febre medicamentosa ou uma infecção viral intercorrente. Portanto, a conduta adequada é considerar o paciente curado da meningite meningocócica, sem necessidade de prolongar ou trocar o antimicrobiano.
O reinício de febre deve ser avaliado considerando o estado clínico geral do paciente e, principalmente, a reavaliação do líquor. Se o líquor estiver normalizado e o paciente clinicamente bem, a febre pode não indicar falha terapêutica.
A normalização da celularidade (baixas células, predominantemente mononucleares), da glicose e das proteínas, juntamente com culturas e testes de aglutinação negativos, indicam a resolução da infecção e a cura da meningite bacteriana.
Nesses casos, a febre pode ser de origem medicamentosa (reação a antibióticos), uma infecção viral intercorrente, ou mesmo uma febre central. Não necessariamente indica falha terapêutica da meningite.
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