Meningite Bacteriana: Conduta e Tratamento Imediato

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026

Enunciado

Um paciente de 33 anos de idade apresentou febre alta, cefaleia intensa e rigidez de nuca; além de líquor turvo, com neutrofilia e hipoglicorraquia. Para o caso apresentado, qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Dar início imediato ao antibiótico intravenoso para meningite bacteriana.
  2. B) Utilizar corticoide isolado como primeira opção.
  3. C) Realizar hidratação venosa exclusiva.
  4. D) Esperar a cultura do líquor para iniciar antibiótico.

Pérola Clínica

Suspeita de meningite bacteriana → Antibiótico IV imediato (não aguardar culturas).

Resumo-Chave

A meningite bacteriana é uma emergência médica onde o tempo para o início do antibiótico é o principal determinante do prognóstico e redução de sequelas.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana aguda é uma infecção grave das leptomeninges que exige reconhecimento e intervenção rápidos. A tríade clássica de febre, cefaleia e rigidez de nuca está presente em muitos pacientes, mas a ausência de todos os três sinais não exclui o diagnóstico. O tratamento empírico inicial geralmente envolve uma cefalosporina de terceira geração (como ceftriaxona ou cefotaxima) associada à vancomicina para cobrir pneumococos resistentes. A fisiopatologia envolve a colonização da nasofaringe, invasão da corrente sanguínea e subsequente travessia da barreira hematoencefálica. Uma vez no espaço subaracnóideo, a replicação bacteriana e a liberação de componentes da parede celular geram uma cascata inflamatória intensa, levando a edema cerebral, vasculite e aumento da pressão intracraniana. Por isso, a rapidez na esterilização do líquor com antibióticos bactericidas é o fator crítico para a sobrevivência do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual o perfil liquórico típico da meningite bacteriana?

O líquor na meningite bacteriana aguda apresenta-se classicamente turvo ou purulento. Na citometria, observa-se pleocitose acentuada (frequentemente > 1.000 células/mm³) com predomínio de polimorfonucleares (neutrofilia). Bioquimicamente, há hipoglicorraquia (glicose baixa, geralmente < 40 mg/dL ou relação líquor/sangue < 0,4) e hiperproteinorraquia (proteínas elevadas). A coloração de Gram pode identificar o patógeno em 60-90% dos casos antes mesmo da cultura, sendo fundamental para o direcionamento inicial da terapia.

Quando deve-se realizar TC de crânio antes da punção lombar?

A punção lombar (PL) não deve ser atrasada por uma TC, a menos que existam sinais de risco para herniação cerebral. As indicações para TC antes da PL incluem: déficit neurológico focal novo, papiledema, nível de consciência significativamente rebaixado (escala de coma de Glasgow < 12), história de doença do SNC (tumor, AVC) ou estado de imunossupressão grave. Se a TC for necessária, deve-se coletar hemoculturas e iniciar a antibioticoterapia empírica imediatamente, antes de encaminhar o paciente para o exame de imagem.

Qual o papel dos corticoides na meningite bacteriana?

A dexametasona é recomendada para reduzir a resposta inflamatória no espaço subaracnóideo desencadeada pela lise bacteriana após o início dos antibióticos. Ela deve ser administrada 10 a 20 minutos antes ou concomitantemente com a primeira dose de antibiótico. O benefício é mais robusto em casos de meningite por Streptococcus pneumoniae, reduzindo a incidência de perda auditiva e sequelas neurológicas. Se o Gram ou a cultura revelarem outro patógeno que não o pneumococo ou H. influenzae, o corticoide pode ser descontinuado.

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