Meningite Bacteriana: Diagnóstico e Tratamento Imediato

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 55a, foi trazida por familiares à Unidade de Emergência por febre, cefaleia e confusão mental há quatro dias. Antecedentes: diabetes e hipertensão arterial. Exame físico: PA=132/68mmHg; FC=102bpm; FR=20irpm; T=37,5ºC. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, ausência de lesões de pele. Exame neurológico: apresenta resposta motora ao comando, verbal com palavras confusas e ocular ao comando verbal. Pupilas isocóricas e fotorreagentes. Sinais de Kernig e Brudzinski presentes. Sem déficits focais. Iniciada expansão volêmica. Líquido cefalorraquidiano: aspecto turvo, 800células/mm³ com predomínio de polimorfonucleares, proteína=80mg/dL, glicose=15mg/dL, bacterioscopia=cocos Gram-positivos aos pares. O PRIMEIRO FÁRMACO A SER ADMINISTRADO É:

Alternativas

Pérola Clínica

Meningite bacteriana (cocos Gram+ pares) → Dexametasona + Ceftriaxona + Vancomicina (iniciar dexametasona antes/com ATB).

Resumo-Chave

O quadro clínico e laboratorial (LCR com cocos Gram-positivos aos pares) é altamente sugestivo de meningite bacteriana por Streptococcus pneumoniae. A conduta prioritária envolve a administração de dexametasona antes ou concomitantemente aos antibióticos (ceftriaxona e vancomicina) para reduzir a inflamação e as sequelas neurológicas.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana aguda é uma emergência médica grave, caracterizada pela inflamação das meninges causada por bactérias. Sua epidemiologia varia conforme a idade e a região, mas Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b (em não vacinados) são os principais agentes etiológicos. A rápida identificação e tratamento são cruciais para prevenir morbidade e mortalidade significativas. A fisiopatologia envolve a invasão bacteriana do espaço subaracnoideo, levando a uma intensa resposta inflamatória que resulta em edema cerebral, aumento da pressão intracraniana e dano neuronal. O diagnóstico é baseado na tríade clássica de febre, cefaleia e rigidez de nuca, frequentemente acompanhada de confusão mental ou alteração do nível de consciência. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) por punção lombar é fundamental, revelando pleocitose com predomínio de polimorfonucleares, hipoglicorraquia, hiperproteinorraquia e, muitas vezes, a identificação do agente na bacterioscopia. Cocos Gram-positivos aos pares são sugestivos de Streptococcus pneumoniae. O tratamento da meningite bacteriana é uma emergência e deve ser iniciado o mais rápido possível. A administração de dexametasona é recomendada antes ou concomitantemente à primeira dose de antibióticos, especialmente em casos de meningite pneumocócica, para reduzir a inflamação e as sequelas neurológicas. O esquema antibiótico empírico inicial para adultos geralmente inclui uma cefalosporina de terceira geração (como ceftriaxona) e vancomicina, para cobrir os patógenos mais comuns e suas possíveis resistências, sendo ajustado após a cultura e o antibiograma do LCR.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos do LCR na meningite bacteriana?

O LCR na meningite bacteriana tipicamente apresenta aspecto turvo, pleocitose com predomínio de polimorfonucleares (>1000 células/mm³), proteinorraquia elevada (>100 mg/dL) e glicorraquia baixa (<40 mg/dL ou <40% da glicemia).

Por que a dexametasona é administrada na meningite bacteriana?

A dexametasona é um corticosteroide que reduz a resposta inflamatória no espaço subaracnoideo, diminuindo o edema cerebral, a pressão intracraniana e a incidência de sequelas neurológicas, especialmente na meningite pneumocócica.

Qual o esquema antibiótico empírico inicial para meningite bacteriana em adultos?

O esquema empírico inicial para adultos com suspeita de meningite bacteriana, especialmente em áreas com resistência a penicilinas, inclui uma cefalosporina de terceira geração (ex: ceftriaxona) e vancomicina para cobrir S. pneumoniae resistente e Neisseria meningitidis.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo