Meningite Bacteriana Aguda: Diagnóstico e Agentes Etiológicos

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

Sobre a Meningite Bacteriana Aguda, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A tríade clínica clássica da meningite é febre, dor de cabeça e rigidez da nuca ("rigidez do pescoço"), sendo o Streptococcus pneumoniae o agente infeccioso mais comum da meningite bacteriana aguda nos pacientes imunocompetentes.
  2. B) A erupção da meningococemia começa como uma lesão maculopapular difusa semelhante a um exantema viral, mas rapidamente se torna petequial no tronco e nas extremidades inferiores, membranas mucosas e conjuntiva, sempre polpando as palmas das mãos e solas dos pés.
  3. C) O líquido cefalorraquidiano tem, tipicamente, mais de 1000 glóbulos brancos por microlitro, dos quais, mais de 60% são leucócitos mononucleares; e a concentração de glicose é inferior a 40 mg / dL.
  4. D) Com a suspeita diagnóstica de meningite, mesmo quando não é possível a coleta do líquor, inicia-se, empiricamente, ceftriaxone mais vancomicina, postergando a administração da dexametasona para 48h depois do início da antibioticoterapia.
  5. E) A Neisseria meningitidis é o principal agente da meningite infecciosa aguda relacionada a procedimentos neurocirúrgicos, principalmente as derivações ventrículo- peritoneais.

Pérola Clínica

Meningite bacteriana clássica: febre + cefaleia + rigidez de nuca. Agente mais comum em imunocompetentes: S. pneumoniae.

Resumo-Chave

A tríade clássica de febre, cefaleia e rigidez de nuca é altamente sugestiva de meningite bacteriana aguda. Em pacientes imunocompetentes, o Streptococcus pneumoniae é o agente etiológico mais comum, sendo fundamental o reconhecimento rápido e o início da antibioticoterapia empírica adequada.

Contexto Educacional

A Meningite Bacteriana Aguda é uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos para evitar sequelas neurológicas graves e morte. A tríade clínica clássica de febre, cefaleia e rigidez de nuca é um forte indicativo, embora nem sempre esteja presente em todos os pacientes. Outros sinais incluem alteração do estado mental, fotofobia e, em casos de meningococcemia, exantema petequial. O Streptococcus pneumoniae é o agente infeccioso mais comum da meningite bacteriana aguda em pacientes imunocompetentes, seguido pela Neisseria meningitidis. O diagnóstico definitivo é feito pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar, que tipicamente mostra pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia. A coloração de Gram e a cultura do LCR são essenciais para identificar o agente etiológico. O tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente após a suspeita diagnóstica e, idealmente, após a coleta do LCR, com antibióticos de largo espectro (ex: ceftriaxone + vancomicina) e, em casos selecionados, dexametasona. A dexametasona é particularmente importante na meningite pneumocócica para reduzir a inflamação e melhorar o prognóstico. A compreensão dos agentes etiológicos, achados do LCR e manejo inicial é crucial para o residente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes etiológicos da meningite bacteriana aguda em adultos imunocompetentes?

Em adultos imunocompetentes, os principais agentes são Streptococcus pneumoniae (o mais comum), Neisseria meningitidis e, em menor grau, Haemophilus influenzae. Outros agentes podem ser relevantes em grupos específicos, como Listeria monocytogenes em idosos ou imunocomprometidos.

Quais as características típicas do líquido cefalorraquidiano (LCR) na meningite bacteriana?

O LCR na meningite bacteriana tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de neutrófilos (geralmente >1000 células/μL), glicose baixa (<40 mg/dL ou <40% da glicemia), proteínas elevadas (>45 mg/dL) e coloração de Gram positiva para bactérias.

Quando a dexametasona deve ser administrada no tratamento da meningite bacteriana?

A dexametasona deve ser administrada antes ou concomitantemente à primeira dose do antibiótico em casos de meningite por Streptococcus pneumoniae, e em algumas situações de meningite por Haemophilus influenzae em crianças. Seu uso visa reduzir a inflamação e as complicações neurológicas, mas não é indicada para todos os tipos de meningite bacteriana.

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