AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
Paciente de 4 anos de idade, previamente hígido, apresenta quadro clínico compatível com meningite aguda. A análise inicial de seu liquor, obtido por punção lombar, mostrou pressão de abertura de 210 mm H2O, celularidade de 1.100/μL com predomínio de neutrófilos, glicorraquia de 15 mg/dL (glicemia é de 90 mg/dL) e proteína de 200 mg/dL. Trata-se de um caso de meningite:
Meningite: Pleocitose neutrofílica + Glicorraquia ↓ + Proteína ↑ + Pressão abertura ↑ → Bacteriana aguda.
O perfil do líquor com pleocitose predominantemente neutrofílica, glicorraquia muito baixa (relação glicose líquor/sérica < 0,4), proteinorraquia elevada e pressão de abertura aumentada é altamente sugestivo de meningite bacteriana aguda, uma emergência médica.
A meningite aguda em crianças é uma emergência pediátrica que exige diagnóstico e tratamento rápidos para evitar sequelas neurológicas graves ou óbito. A análise do líquor cefalorraquidiano (LCR) é o pilar diagnóstico, fornecendo informações cruciais para diferenciar a etiologia bacteriana de outras causas, como viral ou fúngica. O perfil clássico da meningite bacteriana é caracterizado por alterações específicas que refletem a intensa resposta inflamatória ao patógeno. Na meningite bacteriana aguda, a fisiopatologia envolve a invasão bacteriana das meninges, levando a uma resposta inflamatória com recrutamento de neutrófilos, aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica e consumo de glicose pelas bactérias e células inflamatórias. Isso se traduz no LCR por uma pressão de abertura elevada (>200 mm H2O), pleocitose acentuada com predomínio de neutrófilos (geralmente >1000 células/μL), glicorraquia significativamente reduzida (<40 mg/dL ou relação glicose LCR/sérica <0,4) e proteinorraquia elevada (>100 mg/dL). O tratamento da meningite bacteriana é uma urgência e deve ser iniciado empiricamente com antibióticos de amplo espectro após a coleta do LCR e hemoculturas, sem aguardar os resultados microbiológicos. A escolha do antibiótico depende da idade do paciente e do perfil epidemiológico local. O prognóstico está diretamente relacionado à rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo fundamental que residentes saibam interpretar corretamente os achados do LCR para uma conduta adequada.
Os achados clássicos incluem pleocitose com predomínio de neutrófilos (>1000 células/μL), glicorraquia muito baixa (<40 mg/dL ou relação líquor/sérica <0,4), proteinorraquia elevada (>100 mg/dL) e pressão de abertura aumentada.
A meningite viral geralmente apresenta pleocitose com predomínio linfocitário, glicorraquia normal ou discretamente reduzida e proteinorraquia normal ou levemente elevada, diferentemente do perfil bacteriano.
A pressão de abertura elevada (>200 mm H2O) é um achado comum na meningite bacteriana, refletindo o aumento da pressão intracraniana devido à inflamação e edema cerebral, e é um dado importante para o diagnóstico.
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