Meningite Bacteriana: Diagnóstico e Profilaxia de Contactantes

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020

Enunciado

Homem, 24 anos de idade, é trazido ao Pronto Socorro com quadro de febre, cefaleia intensa e vômitos, há 2 dias. Nega comorbidades. Ao exame, apresenta-se em regular estado geral, corado, febril, com T: 38,8ºC, FC: 105bpm, PA 100x64mmHg. Lúcido e orientado, com pupilas isocóricas e fotorreagentes, tem sinais focais. Apresenta sinais de Kernig e Brudzinski positivos. Ausculta cardiorrespiratória e exame abdominal sem achados. Realizada punção liquórica, com os seguintes achados: 5050 céls/mm³ com 85% de polimorfonucleares, 15% de linfomononucleares, proteínas: 250mg/dl, glicose: 26mg/dl. Aguarda demais parâmetros do líquor. De acordo com o quadro descrito, havendo necessidade de profilaxia pós-exposição para os contactantes domiciliares, cite a medicação de escolha (nome da droga).

Alternativas

Pérola Clínica

Meningite bacteriana (líquor: PMN ↑, glicose ↓, proteína ↑) → profilaxia contactantes com Rifampicina, Ceftriaxona ou Ciprofloxacino.

Resumo-Chave

O quadro clínico (febre, cefaleia, vômitos, sinais meníngeos) e os achados do líquor (pleocitose com predomínio de polimorfonucleares, hipoglicorraquia, hiperproteinorraquia) são altamente sugestivos de meningite bacteriana aguda. Para contactantes domiciliares, a profilaxia é essencial para prevenir a disseminação, sendo as opções principais Rifampicina, Ceftriaxona ou Ciprofloxacino, dependendo da idade e contraindicações.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana aguda é uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para evitar sequelas neurológicas graves ou óbito. O quadro clínico clássico inclui febre, cefaleia intensa, vômitos, rigidez de nuca e alteração do nível de consciência. Os sinais de Kernig e Brudzinski são indicativos de irritação meníngea. A etiologia mais comum em adultos jovens é a Neisseria meningitidis (meningococo), seguida por Streptococcus pneumoniae. A punção liquórica é fundamental para o diagnóstico. Os achados no líquor de pleocitose com predomínio de polimorfonucleares, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia são altamente sugestivos de etiologia bacteriana. O tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente após a coleta do líquor, antes mesmo da identificação do agente, com antibióticos de amplo espectro que penetrem bem no sistema nervoso central. Além do tratamento do paciente, a profilaxia pós-exposição é crucial para os contactantes domiciliares e íntimos, especialmente em casos de meningite meningocócica, devido à sua alta transmissibilidade. As medicações de escolha para profilaxia incluem Rifampicina (oral, por 2 dias), Ceftriaxona (dose única intramuscular) ou Ciprofloxacino (dose única oral, para adultos). A escolha depende da idade do contactante e de possíveis contraindicações, visando erradicar o estado de portador na nasofaringe e prevenir a doença secundária.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos do líquor na meningite bacteriana?

Na meningite bacteriana, o líquor tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de polimorfonucleares (>1000 células/mm³), hipoglicorraquia (glicose <40 mg/dL ou <40% da glicemia sérica), e hiperproteinorraquia (>100 mg/dL).

Quais são as indicações para profilaxia pós-exposição na meningite?

A profilaxia é indicada para contactantes íntimos (domiciliares, creches, escolas, parceiros sexuais) de pacientes com meningite meningocócica ou por Haemophilus influenzae tipo b, para reduzir o risco de transmissão secundária.

Quais medicamentos são utilizados para a profilaxia da meningite meningocócica em contactantes?

As opções de escolha são Rifampicina (oral, por 2 dias), Ceftriaxona (dose única intramuscular) ou Ciprofloxacino (dose única oral, para adultos). A escolha depende da idade e contraindicações específicas.

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