Meningite em Lactentes: Conduta e Antibioticoterapia

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um lactente de 40 dias de vida é levado à unidade de emergência pediátrica pelos pais devido a um quadro de febre de 38,8 °C iniciada há cerca de 18 horas. A mãe relata que o bebê apresenta acentuada irritabilidade, chorando intensamente ao ser manipulado para a troca de fraldas, além de ter apresentado dois episódios de vômitos em jato e recusa alimentar nas últimas mamadas. Ao exame físico, o paciente encontra-se gemente, com palidez cutânea e tempo de enchimento capilar de 3 segundos. A fontanela anterior está tensa e discretamente abaulada. Não foram observados sinais de Kernig ou Brudzinski. Foi realizada punção lombar, que revelou líquido cefalorraquidiano turvo, com os seguintes resultados: contagem de 1.400 leucócitos/mm³ com predomínio de 88% de polimorfonucleares, glicose de 12 mg/dL (glicemia sérica concomitante de 95 mg/dL) e proteínas de 180 mg/dL. A bacterioscopia pelo método de Gram resultou inconclusiva. Com base no quadro clínico e laboratorial apresentado, assinale a alternativa que indica a conduta terapêutica antimicrobiana empírica mais adequada para este paciente.

Alternativas

  1. A) Ceftriaxona associada a Vancomicina.
  2. B) Cefotaxima em monoterapia.
  3. C) Ampicilina associada a Ceftriaxona.
  4. D) Ampicilina associada a Gentamicina.

Pérola Clínica

Lactente < 3 meses com meningite → Ampicilina (cobre Listeria) + Cefalosporina de 3ª geração.

Resumo-Chave

Em lactentes entre 1 e 3 meses, a cobertura deve incluir patógenos neonatais (Listeria e GBS) e comunitários (S. pneumoniae, N. meningitidis), justificando a associação de Ampicilina e Ceftriaxone.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana no lactente jovem é uma emergência médica com alta morbimortalidade. O quadro clínico pode ser inespecífico, manifestando-se apenas por febre, irritabilidade, vômitos e abaulamento de fontanela, muitas vezes sem os sinais clássicos de Kernig ou Brudzinski, que são raros antes dos 12-18 meses. A análise do líquor é fundamental para o diagnóstico, e o início da antibioticoterapia não deve ser retardado por exames de imagem se não houver contraindicações à punção lombar. A escolha do antibiótico deve considerar a transição da flora neonatal para a comunitária.

Perguntas Frequentes

Por que usar Ampicilina em lactentes de até 3 meses?

A Ampicilina é essencial para cobrir a Listeria monocytogenes e o Streptococcus agalactiae (GBS), patógenos comuns no período neonatal e nos primeiros meses de vida. As cefalosporinas de terceira geração, como a Ceftriaxone, não possuem atividade contra a Listeria, o que torna a associação obrigatória nessa faixa etária para garantir uma cobertura de amplo espectro eficaz contra os principais agentes etiológicos.

Quais os achados liquóricos típicos da meningite bacteriana?

O líquor na meningite bacteriana geralmente apresenta pleocitose importante (frequentemente > 1.000 células/mm³) com predomínio de polimorfonucleares (neutrófilos), hiperproteinorraquia (proteínas elevadas devido à quebra da barreira hematoencefálica) e hipoglicorraquia acentuada (glicose baixa em relação à glicemia sérica, geralmente < 40 mg/dL ou relação glicose líquor/soro < 0,4).

Pode-se usar Ceftriaxone em recém-nascidos?

Em recém-nascidos com menos de 28 dias, a Ceftriaxone deve ser evitada devido ao risco de kernicterus (deslocamento da bilirrubina da albumina) e precipitação com cálcio intravenoso. Nesses casos, a Cefotaxima é a cefalosporina de escolha. No entanto, para lactentes acima de 1 mês, como o do caso (40 dias), a Ceftriaxone já pode ser utilizada com segurança.

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