Meningite Bacteriana: Diagnóstico Liquórico e Conduta de Emergência

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Um adolescente do sexo masculino de 12 anos de idade é levado à Emergência para avaliação clínica. Apresenta quadro de febre, cefaleia e vômitos com 12h de evolução. A mãe nega antecedentes patológicos relevantes. Exame físico: bom estado geral, com fotofobia, hipocorado 1+/4+, desidratado 1+/4+, anictérico e acianótico. Aparelho respiratório, ausculta cardíaca e exame abdominal sem anormalidades. Não apresenta sinais focais e as pupilas são isocóricas e fotorreativas. Apresenta sinal de Brudzinski positivo. Exame do líquor evidencia glicose = 40 mg/dL (VR = 40 - 70 mg/dL); 1.000 células/mm³, 80% de neutrófilos (VR = 0 - 5 células/mm³); proteínas = 150 mg/dL (VR = 8 - 32 mg/dL). Tendo em vista o quadro acima descrito, o diagnóstico mais provável e o respectivo tratamento são:

Alternativas

  1. A) Meningite fúngica e anfotericina B.
  2. B) Meningite bacteriana e ceftriaxone.
  3. C) Meningite viral e medicação sintomática.
  4. D) Meningite tuberculosa e esquema tríplice.

Pérola Clínica

LCR turvo + Neutrófilos > 80% + Glicose < 40 mg/dL → Meningite Bacteriana (Ceftriaxone).

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre, cefaleia e sinais meníngeos associado a um líquor com hipoglicorraquia e pleocitose polimorfonuclear indica etiologia bacteriana, exigindo antibioticoterapia imediata.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência médica com alto potencial de sequelas neurológicas e óbito. O diagnóstico precoce baseia-se na tríade clínica (febre, rigidez de nuca e alteração do estado mental) e na análise rápida do LCR. A distinção entre etiologias virais (geralmente autolimitadas) e bacterianas é feita principalmente pelos níveis de glicose e pelo tipo de celularidade no líquor. Além do tratamento antibiótico, o manejo envolve estabilização hemodinâmica e, em casos específicos (como suspeita de H. influenzae ou pneumococo), o uso de dexametasona antes ou junto com a primeira dose de antibiótico para reduzir a resposta inflamatória e o risco de surdez e outras sequelas.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do líquor na meningite bacteriana?

O líquor na meningite bacteriana tipicamente apresenta aparência turva ou purulenta. Laboratorialmente, observa-se pleocitose acentuada (frequentemente > 1.000 células/mm³) com predomínio de polimorfonucleares (neutrófilos > 80%). A glicose está reduzida (hipoglicorraquia, geralmente < 40 mg/dL ou < 50% da glicemia periférica) e as proteínas estão elevadas (hiperproteinorraquia > 100 mg/dL).

O que é o sinal de Brudzinski?

O sinal de Brudzinski é um sinal clínico de irritação meníngea. Ele é considerado positivo quando a flexão passiva do pescoço do paciente pelo examinador provoca uma flexão involuntária dos quadris e joelhos. É um indicador altamente sugestivo de inflamação das meninges, como ocorre na meningite ou hemorragia subaracnoidea.

Qual o tratamento empírico inicial para meningite bacteriana em adolescentes?

O tratamento empírico deve cobrir os principais patógenos (Neisseria meningitidis e Streptococcus pneumoniae). A cefalosporina de 3ª geração, como o Ceftriaxone, é a droga de escolha devido à sua excelente penetração na barreira hematoencefálica inflamada e espectro de ação. Em algumas regiões, associa-se Vancomicina se houver suspeita de pneumococo resistente.

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