Meningite Bacteriana: Conduta e Análise de Líquor

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026

Enunciado

Uma paciente de 14 anos de idade foi levada ao pronto atendimento com sintomas de cefaléia intensa, febre alta há dois dias e vômitos. Ao exame físico, apresentou rigidez de nuca, FC = 118 bpm, FR = 24 irpm, SpO₂ = 98% e temperatura = 38,7°C; sem déficits neurológicos focais no momento. O pediatra decidiu realizar punção lombar. A análise inicial do líquor mostrou aspecto turvo; proteínas = 220 mg/dL; glicose = 28 mg/dL (glicemia capilar = 95 mg/dL) e predominância de neutrófilos. Qual a conduta terapêutica mais apropriada para esse caso?

Alternativas

  1. A) Início de antiviral específico para meningite enquanto aguarda o resultado da cultura.
  2. B) Observação em enfermaria, com hidratação oral.
  3. C) Administração apenas de corticosteróide por 24 horas, antes de iniciar antibiótico.
  4. D) Início imediato de antibioticoterapia empírica para meningite bacteriana.

Pérola Clínica

Líquor turvo + Neutrofilia + Glicose ↓ + Proteína ↑ = Antibioticoterapia imediata.

Resumo-Chave

A suspeita clínica de meningite bacteriana exige início imediato de antibioticoterapia empírica após coleta de líquor, visando reduzir morbimortalidade.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência médica onde o tempo para o início do tratamento é o principal determinante do prognóstico. A fisiopatologia envolve a colonização da nasofaringe, invasão da corrente sanguínea e transposição da barreira hematoencefálica, gerando uma resposta inflamatória intensa no espaço subaracnoideo. O diagnóstico baseia-se na clínica de febre, cefaleia e sinais meníngeos, confirmada pela análise do LCR. O tratamento não deve ser retardado por exames complementares demorados.

Perguntas Frequentes

Quais os achados clássicos do líquor na meningite bacteriana?

O perfil liquórico típico da meningite bacteriana aguda inclui pleocitose com predominância de polimorfonucleares (neutrófilos), geralmente acima de 1.000 células/mm³, embora valores menores ocorram precocemente. Observa-se também hipoglicorraquia acentuada (relação glicose líquor/sangue < 0,4) e hiperproteinorraquia significativa (frequentemente > 100 mg/dL). O aspecto costuma ser turvo ou purulento devido à alta celularidade.

Quando realizar TC antes da punção lombar?

A tomografia de crânio deve preceder a punção lombar apenas em situações específicas de risco para herniação cerebral: déficit neurológico focal, papiledema, crises convulsivas de início recente, imunocomprometimento grave ou rebaixamento importante do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow < 12). Na ausência desses sinais, a punção deve ser imediata.

Qual a antibioticoterapia empírica inicial recomendada?

A escolha depende da idade e fatores de risco. Para crianças acima de 3 meses e adultos, a associação de uma cefalosporina de 3ª geração (Ceftriaxona ou Cefotaxima) com Vancomicina é o padrão para cobrir S. pneumoniae e N. meningitidis. Em neonatos ou idosos/imunossuprimidos, deve-se adicionar Ampicilina para cobertura de Listeria monocytogenes.

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