Meningite Bacteriana Aguda: Manejo e Conduta Inicial

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 34 anos, sem antecedentes mórbidos, trazido ao PS por familiares relatando dois dias de cefaleia holocraniana inicialmente leve, com piora progressiva. Hoje a dor tinha forte intensidade, associada a vômitos e febre medida de 39°C. Ao exame inicial, encontra-se com FC:113bpm; PA:80x62mmHg; FR:18ipm; SpO2:96% em ar ambiente. Exame cardiopulmonar e abdominal sem alterações. Abertura ocular aos chamados, verbaliza por sons incompreensíveis e localiza estímulo doloroso, sem déficits neurológicos focais. Rigidez nucal presente. A equipe de plantão indicou isolamento respiratório para gotículas e preencheu a notificação na suspeita, iniciou o protocolo sepse, realizou coleta de líquor e culturas, iniciou expansão volêmica e pesquisa de disfunções orgânicas, além da prescrição de corticoterapia. Assinale a alternativa com as condutas a serem tomadas a seguir.

Alternativas

  1. A) Prescrever Vancomicina e Meropenem e suspender o isolamento respiratório após 48 horas do início do tratamento.
  2. B) Administrar Ceftriaxone e suspender o isolamento respiratório após 24h do início do tratamento com antibióticos.
  3. C) Aguardar resultados de culturas para iniciar antibioticoterapia e suspender o isolamento em 24 horas do início do tratamento guiado.
  4. D) Prescrever Ceftriaxone e Ampicilina e manter o paciente em isolamento respiratório até o final do tratamento com antibióticos

Pérola Clínica

Meningite bacteriana em adulto jovem → Ceftriaxone empírico + Dexametasona. Isolamento por gotículas suspende após 24h ATB.

Resumo-Chave

O quadro clínico sugere meningite bacteriana. A conduta inicial inclui coleta de líquor e culturas, antibioticoterapia empírica com Ceftriaxone e Dexametasona. O isolamento respiratório para gotículas é crucial e pode ser suspenso 24 horas após o início do tratamento antibiótico eficaz, especialmente se a suspeita for de meningite meningocócica.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana aguda é uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para evitar sequelas neurológicas graves e morte. A epidemiologia varia com a idade, mas Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis são os patógenos mais comuns em adultos. A suspeita clínica é baseada em cefaleia, febre, rigidez de nuca e alteração do estado mental. A fisiopatologia envolve a invasão das meninges por bactérias, levando a uma resposta inflamatória intensa. O diagnóstico é confirmado por análise do líquor, que tipicamente mostra pleocitose neutrofílica, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia. A coleta de culturas de líquor e sangue é crucial antes do início dos antibióticos, mas o tratamento empírico não deve ser atrasado. O tratamento consiste em antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro (como Ceftriaxone, com ou sem Vancomicina, e Dexametasona para reduzir a inflamação e sequelas). O isolamento respiratório é fundamental para prevenir a transmissão, especialmente em casos de suspeita de meningite meningocócica, e pode ser suspenso após 24 horas de tratamento eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da meningite bacteriana?

Cefaleia intensa, febre, rigidez de nuca e alteração do nível de consciência são os sinais clássicos da meningite bacteriana. Vômitos e fotofobia também são comuns, e em casos graves, pode haver hipotensão e choque.

Qual a antibioticoterapia empírica inicial para meningite bacteriana em adultos?

Em adultos jovens sem fatores de risco, a terapia empírica inicial geralmente inclui Ceftriaxone (ou Cefotaxima) e Dexametasona. Vancomicina pode ser adicionada em áreas com alta resistência a pneumococos ou em pacientes com fatores de risco.

Quando o isolamento respiratório pode ser suspenso em casos de meningite?

O isolamento respiratório para gotículas, indicado principalmente para meningite meningocócica, pode ser suspenso 24 horas após o início da antibioticoterapia eficaz, pois o paciente deixa de ser contagioso.

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