PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Paciente do sexo feminino, de 12 anos, com quadro de cefaleia, febre e convulsões é admitida no Pronto Atendimento com diagnóstico de meningite. Iniciado ceftriaxone imediatamente, sendo realizada punção lombar no 2º dia de tratamento. Líquor: 243células (65% neutrófilos, 23% linfócitos, 12% monócitos), glicose 22 mg/dL, proteínas 317mg/dL, Gram de líquor sem visualização de bactérias, cultura do líquor em andamento. Glicemia capilar: 112 mg/dL. Diante desses resultados, assinale a MELHOR CONDUTA:
LCR alterado (pleocitose neutrofílica + hipoglicorraquia) após início de ATB → manter tratamento para meningite bacteriana.
Mesmo com Gram negativo após início de antibiótico, a bioquímica e a celularidade do líquor (pleocitose e hipoglicorraquia) sustentam o diagnóstico de meningite bacteriana, exigindo o curso completo de tratamento.
A meningite bacteriana é uma emergência médica onde o atraso no tratamento aumenta drasticamente a morbimortalidade. Em casos onde a punção lombar é realizada após o início da antibioticoterapia, o fenômeno da 'meningite decapitada' ocorre, dificultando a identificação do agente etiológico. A análise deve focar na celularidade e bioquímica: glicose liquórica menor que 40 mg/dL (ou relação LCR/Sérica < 0.4) e pleocitose com predomínio de polimorfonucleares são marcadores clássicos de infecção bacteriana. O manejo clínico deve ser conservador no sentido de manter a terapia iniciada se os parâmetros liquóricos forem inflamatórios. O tempo de tratamento varia conforme o agente (7 dias para N. meningitidis, 10-14 para S. pneumoniae), mas na ausência de isolamento, o tempo padrão de 10 a 14 dias é frequentemente adotado para garantir a esterilização do foco infeccioso.
O uso de antibióticos antes da punção lombar pode negativar a bacterioscopia (Gram) e a cultura em poucas horas, especialmente para patógenos como o meningococo. No entanto, as alterações bioquímicas e citológicas, como a pleocitose neutrofílica, o aumento de proteínas e a redução da glicose, persistem por mais tempo, permitindo o diagnóstico presuntivo de meningite bacteriana mesmo na ausência de isolamento do agente.
A negatividade do Gram após o início do ceftriaxone não exclui a infecção bacteriana; apenas indica que a carga bacteriana foi reduzida ou eliminada do espaço subaracnóideo. Como o quadro clínico inicial e as alterações liquóricas (243 células com predomínio de neutrófilos e glicose de 22 mg/dL) são altamente sugestivos de etiologia bacteriana, o protocolo exige a conclusão do ciclo terapêutico para evitar recidivas e complicações.
A dexametasona é indicada principalmente na suspeita de meningite por Haemophilus influenzae tipo b ou Streptococcus pneumoniae para reduzir o risco de sequelas auditivas e neurológicas. Contudo, ela deve ser administrada antes ou junto com a primeira dose de antibiótico. Iniciá-la no terceiro dia de tratamento, como sugerido em uma alternativa, não traz os benefícios comprovados na fase aguda da inflamação.
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