Meningite Bacteriana: Conduta e Antibioticoterapia no Idoso

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026

Enunciado

Em um plantão na UPA, você atende um paciente do sexo masculino, 67 anos, previamente hígido, com cefaleia holocraniana em pressão há, aproximadamente, 24 horas, relato de febre termometrada acima de 38 graus e relatos de vômitos. Sem outras alterações à avaliação inicial. Ao exame físico, apresenta abertura ocular ao chamado, movimenta-se ativamente e mantém diálogo organizado. Apresenta-se com rigidez de nuca discreta, sem papiledema à avaliação de fundo de olho e sem déficit focal. PA 138x78 mmHg, FC: 105bpm, SatO₂: 99% aa; Exames iniciais: • Hb:13.3 GL:15800 (12% de células imaturas – bastonetes e meta) n: 9800; • Plaq: 168000; • Cr:1,1 Ur:42; • Na:138 K:3,5; • Glicemia:132 Qual a PRÓXIMA conduta, considerando as alternativas a seguir?

Alternativas

  1. A) TC de crânio.
  2. B) Iniciar ceftriaxona + vancomicina + dexametasona e aguardar imagem para punção lombar.
  3. C) Punção lombar imediata, e logo Ceftriaxona EV + Ampicilina EV + dexametasona.
  4. D) Aguardar painel viral de LCR para decidir terapia.

Pérola Clínica

Sem déficit focal ou papiledema → Punção lombar imediata antes da TC de crânio.

Resumo-Chave

Em suspeita de meningite, a punção lombar deve ser imediata se não houver sinais de hipertensão intracraniana. Em idosos (>50 anos), deve-se adicionar Ampicilina para cobertura de Listeria.

Contexto Educacional

A meningite bacteriana é uma emergência médica onde o tempo para o início da antibioticoterapia é o principal determinante do prognóstico. O diagnóstico baseia-se na análise do líquido cefalorraquidiano (LCR). A decisão de realizar uma TC de crânio antes da punção lombar deve ser criteriosa para não retardar o tratamento. No idoso, a apresentação clínica pode ser sutil, e a cobertura para Listeria monocytogenes é mandatória.

Perguntas Frequentes

Quando a TC de crânio deve preceder a punção lombar?

A TC de crânio antes da punção lombar (PL) é indicada apenas em situações específicas que sugerem risco de herniação cerebral: déficit neurológico focal novo, papiledema ao fundo de olho, crises convulsivas de início recente, estado de imunocomprometimento grave ou rebaixamento do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow < 12). Na ausência desses critérios, como no caso apresentado, a PL deve ser realizada imediatamente para evitar atrasos diagnósticos, seguida prontamente pela administração da primeira dose de antibióticos e dexametasona.

Por que adicionar Ampicilina no tratamento de idosos?

Em pacientes com mais de 50 anos ou imunocomprometidos, há um risco aumentado de infecção por Listeria monocytogenes. A Ceftriaxona, embora cubra os principais patógenos como Streptococcus pneumoniae e Neisseria meningitidis, não possui atividade contra a Listeria. Portanto, a Ampicilina deve ser associada ao esquema empírico (Ceftriaxona + Vancomicina + Ampicilina) para garantir a cobertura desse patógeno, que pode causar quadros graves de meningoencefalite nessa população específica.

Qual o papel da dexametasona na meningite bacteriana?

A dexametasona deve ser administrada preferencialmente antes ou junto com a primeira dose de antibiótico. Seu objetivo é atenuar a resposta inflamatória intensa desencadeada pela lise bacteriana no espaço subaracnóideo, o que reduz complicações neurológicas, especialmente a perda auditiva e sequelas neurológicas em adultos com meningite por pneumococo. Se o patógeno identificado não for o pneumococo ou se o paciente já recebeu antibióticos há muito tempo, a manutenção do corticoide deve ser reavaliada.

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