AFAMCI - Hospital dos Plantadores de Cana (RJ) — Prova 2015
Pré-escolar de dois anos e cinco meses é levado à emergência com história de febre, cefaleia e vômitos há seis horas, evoluindo com diminuição do nível de consciência. Exame físico: Glasgow 8, anisocoria, papiledema ao exame de fundo de olho. Além do controle de sinais vitais e suporte clínico, indica-se como conduta imediata:
Criança com febre, alteração consciência, sinais HIC (papiledema, anisocoria) → suspeita meningite → ATB IV imediato.
O quadro clínico (febre, cefaleia, vômitos, diminuição do nível de consciência) associado a sinais de hipertensão intracraniana (Glasgow 8, anisocoria, papiledema) em um pré-escolar é altamente sugestivo de meningite bacteriana. A conduta imediata é iniciar antibioticoterapia venosa empírica, mesmo antes da confirmação diagnóstica, devido à gravidade e rápida progressão da doença.
A meningite bacteriana em crianças é uma emergência pediátrica grave, com potencial para sequelas neurológicas permanentes e alta mortalidade se não tratada prontamente. A apresentação clínica pode ser inespecífica em lactentes, mas em pré-escolares, sintomas como febre, cefaleia, vômitos e alteração do nível de consciência são comuns. A presença de sinais de hipertensão intracraniana (HIC), como papiledema e anisocoria, indica um quadro grave e exige atenção imediata. A fisiopatologia envolve a invasão bacteriana das meninges, levando à inflamação e aumento da pressão intracraniana. O diagnóstico é primariamente clínico e laboratorial (análise do líquor), mas a conduta inicial não deve esperar a confirmação. Em casos com sinais de HIC, uma tomografia computadorizada cerebral pode ser indicada antes da punção lombar para excluir lesões com efeito de massa e risco de herniação. No entanto, a prioridade máxima é o início da antibioticoterapia venosa empírica. O tratamento empírico deve cobrir os patógenos mais comuns para a faixa etária (ex: Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis, Haemophilus influenzae tipo b), geralmente com uma cefalosporina de terceira geração (ceftriaxona ou cefotaxima), podendo-se adicionar vancomicina em áreas com alta resistência. O manitol venoso pode ser usado para reduzir a HIC, mas não substitui o antibiótico. A ressonância magnética é um exame mais detalhado, mas não é a conduta inicial em emergência.
Sinais de hipertensão intracraniana incluem alteração do nível de consciência (Glasgow baixo), papiledema ao fundo de olho, anisocoria, bradicardia e hipertensão arterial.
A meningite bacteriana é uma emergência médica com alta morbimortalidade. O atraso no início dos antibióticos está associado a piores desfechos neurológicos e óbito, por isso a terapia empírica deve ser iniciada imediatamente após a suspeita clínica.
A punção lombar deve ser adiada e uma neuroimagem (TC) considerada antes se houver sinais de hipertensão intracraniana (papiledema, anisocoria, rebaixamento grave do nível de consciência), risco de herniação cerebral ou coagulopatia. No entanto, o antibiótico não deve ser atrasado.
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